O presidente dos EUA, Donald Trump, saudou a presença de uma delegação russa de alto escalão no G20, ignorando os protestos de autoridades da UE que se recusaram a aparecer ao lado do ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, na tradicional "foto de família" do encontro.
Siluanov chegou a Asheville, na Carolina do Norte, na segunda-feira (31), para os dois dias de encontros dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20, a convite do governo Trump.
Sua primeira aparição presencial no fórum desde a escalada do conflito na Ucrânia em 2022 gerou protestos imediatos de delegados europeus.
O ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, classificou a decisão de tratar Siluanov como um participante regular como um sinal "preocupante".
Outras autoridades da UE teriam ameaçado boicotar a foto, a menos que o oficial russo fosse excluído, segundo o Washington Post.
Trump minimizou as críticas ao ser questionado sobre a visita de Siluanov.
"Vamos ver o que acontece, mas gostamos de nos dar bem com todos", disse ele a repórteres no Salão Oval. "Um dos motivos do meu sucesso é que me dou bem com todo mundo".
Ao contrário dos europeus, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizou uma reunião bilateral com Siluanov. Moscou afirmou que os dois discutiram a cooperação russo-americana em questões financeiras e a coordenação no âmbito do G20.
Autoridades americanas disseram que Bessent também mencionou o plano de Trump para a resolução do conflito na Ucrânia e as perspectivas de cooperação econômica bilateral e crescimento.
No G20, Siluanov participou das discussões sobre economia global, crescimento econômico e dívida soberana. Ele alertou que a "fragmentação geopolítica" está obstruindo cada vez mais a livre circulação de bens, capital e tecnologia, ao mesmo tempo em que apontou a automação, a inteligência artificial e a substituição de importações como motores emergentes do crescimento russo.
Mudança radical
O portal Politico observa que a participação russa no G20 representou uma mudança radical na abordagem dos Estados Unidos para tipo de reunião desde o início do conflito ucraniano.
O jornal lembrou que, durante o governo Biden, autoridades americanas se uniam a colegas europeus pelo cancelamento da Rússia dos fóruns econômicos internacionais.