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'Nada parecido havia sido visto': o que arqueólogos encontraram em túmulo de 'vampira'

A sepultura do século 17, achada na Polônia, reúne uma combinação de objetos ritualísticos nunca antes registrada na literatura científica
'Nada parecido havia sido visto': o que arqueólogos encontraram em túmulo de 'vampira'Remains of silk fabric found near the mandible (a) and the occipital bone (b)

Um esqueleto encontrado em 2022 perto da vila polonesa de Pien intrigou pesquisadores por anos, e os resultados do estudo só vieram a público em agosto de 2026.

O cemitério onde ele foi localizado não aparece em nenhum mapa ou registro histórico e ficava fora de terras consagradas, em uma encosta próxima a um cruzamento — sinal de que ali eram enterrados os chamados "mortos desviantes": suicidas, forasteiros, hereges, vítimas de afogamento ou parto, órfãos e não batizados.

Entre as sepulturas, a de número 75 chamou atenção especial. O esqueleto, de uma jovem de cerca de 1,65 m, foi encontrado com uma foice apoiada contra a garganta e um cadeado preso ao dedão do pé esquerdo.

Isoladamente, cada um desses itens já havia sido documentado em outros túmulos "antivampiro" pela Europa Central — foices aparecem da Alemanha à Romênia, e cadeados são mais associados a comunidades judaicas asquenazes.

Mas a combinação dos dois nunca havia sido registrada.

Origem controversa

A análise revelou outros detalhes intrigantes. Fragmentos de fios de ouro e prata na touca indicam que a jovem pertencia a uma família rica, o que contraria o padrão: normalmente, esse tipo de sepultamento "de contenção" era reservado a pessoas de baixo status social.

O DNA mitocondrial apontou ascendência escandinava, embora exames químicos nos dentes mostrem que ela cresceu na Polônia — provavelmente descendente de imigrantes, o que pode tê-la marcado como "estrangeira" aos olhos da comunidade.

Causa da morte segue sendo mistério 

Não há sinais de trauma ou doença nos ossos, e os tecidos moles não sobreviveram, então a causa da morte segue desconhecida. Um detalhe adicional: manchas esverdeadas no céu da boca e nas vértebras superiores sugerem que um objeto de liga de cobre foi colocado em sua boca por volta da morte.

Para o historiador Vladimir Petrukhin, do Instituto de Estudos Eslavos da Academia de Ciências da Rússia, práticas assim eram comuns entre povos eslavos: quem morria de forma violenta ou "antes da hora" podia se tornar um morto-vivo, e objetos de ferro pontiagudos — como foices e cadeados — serviam para "trancar" sua capacidade de se mover. Segundo ele, a combinação encontrada em Pień é genuinamente única.