
Brasil e Rússia registram aumento expressivo no comércio de produto simbólico

A Rússia aumentou em 21,9% as compras de café solúvel do Brasil entre janeiro e julho de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram 4,57 mil toneladas destinadas ao mercado russo, volume que colocou o país na terceira posição entre os compradores do produto brasileiro.
O café tem papel histórico nas relações comerciais entre Brasil e Rússia. Presente no mercado do Império Russo desde o século XIX, o produto também esteve no centro da retomada do comércio entre Brasília e Moscou em 1959, quando Brasil e União Soviética negociaram um novo entendimento comercial após mais de uma década de afastamento.
Os números fazem parte de um balanço divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS). Segundo os dados da entidade, as exportações brasileiras do produto somaram 57,4 mil toneladas nos sete primeiros meses do ano, equivalentes a 2,488 milhões de sacas de 60 quilos em café verde.

O resultado representa crescimento de 10,9% diante das 51,75 mil toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.
O comportamento dos embarques mostra uma recuperação após a queda registrada no início do ano. Janeiro terminou com retração de 31% sobre o mesmo mês de 2025. Em fevereiro, houve alta de 16,8%, seguida por aumentos de 19,7% em março e 22,4% em abril. Maio ficou no mesmo nível do ano anterior.
O movimento ganhou força em junho. Naquele mês, o Brasil exportou 9,77 mil toneladas de café solúvel, equivalentes a 423,4 mil sacas, alta de 38,8% ante junho de 2025. Foi o maior avanço mensal na comparação anual entre os sete meses analisados pela ABICS. Em julho, foram outras 8,16 mil toneladas, ou 353,8 mil sacas, com crescimento de 20% sobre julho do ano anterior.

Junho e julho ampliam resultado acumulado
Os dois meses tiveram peso no resultado acumulado de 2026. Em junho de 2025, os embarques haviam somado 7,04 mil toneladas. Um ano depois, chegaram a 9,77 mil toneladas. Em julho, a comparação passou de 6,80 mil para 8,16 mil toneladas.
No ranking de destinos, os Estados Unidos permaneceram na primeira posição, com 8,44 mil toneladas entre janeiro e julho, mas registraram queda de 12% na comparação anual. A Argentina recebeu 4,64 mil toneladas, retração de 9,6%. Logo depois aparece a Rússia, com 4,57 mil toneladas e crescimento de 21,9%. No mesmo período de 2025, as compras russas haviam somado 3,75 mil toneladas.
Os dados mostram que a distância entre Argentina e Rússia ficou abaixo de 70 toneladas no acumulado dos sete meses. O avanço das compras russas ocorreu em um cenário no qual outros destinos também aumentaram as aquisições, entre eles Colômbia, com alta de 145,7%, Estônia, com 103,4%, Vietnã, com 67,2%, Indonésia, com 49,6%, e Polônia, com 40,6%.

