
'No Primeiro Mundo': Em meio a crise habitacional, jovens suecos conseguiriam comprar uma casa de no máximo 4m²

Na Suécia, um projeto da cooperativa de habitação Riksbyggen e daagência de publicidade BBDO Nordics expôs a dimensão da grave crise habitacional e da dificuldade que jovens tem em encontrar aonde morar.
Em junho, durante a Semana de Almedalen, um tradicional evento político na cidade de Visby, a empresa montou uma exposição de micro-habitações construídas com base no tamanho dos apartamentos que jovens poderiam teoricamente comprar levando em conta os salários médios e os preços em diferentes cidades por metro quadrado.
Em 18 de agosto a cooperativa trouxe a exposição para a cidade de Gotemburgo. Em nota para imprensa, a incorporadora destacou que em pelo menos 111 dos 290 municípios do país, a renda média de um jovem de 25 anos não seria suficiente para comprar uma casa de dez metros quadrados.
Ces maisons miniatures matérialisent le pouvoir d'achat immobilier des jeunes suédois… 🏠
— Creapills 💊 (@creapills) August 25, 2026
Le promoteur Riksbyggen a construit la maison que pourrait s'acheter un Suédois de 25 ans aujourd'hui : 1,9m² à Stockholm, 3,1m² à Göteborg, 4,5m² à Umeå. 🇸🇪
Lit, table et plaque de… pic.twitter.com/2KvZNWwKtS
Um jovem de 25 anos com renda e poupança médias só poderia comprar um apartamento em Estocolmo se ele fosse reduzido a apenas 1,9 metro quadrado. Em Gotemburgo, segunda cidade mais populosa do país, o espaço sobe para 3,1 m². Na cidade universitária de Umea — para 4,5 m².
Os tamanhos foram calculados com base no índice de metro quadrado da Riksbyggen, que considera renda, preços dos imóveis e condições de financiamento, com dados do órgão central de estatísticas sueco (SCB) e do banco digital Avanza. As três cidades foram escolhidas para representar diferentes realidades regionais, do sul ao norte do país, mas todas mostram o mesmo padrão, em que o acesso dos jovens à casa própria é extremamente limitado.
Detalhes do design
Os três apartamentos foram projetados para parecerem típicos lares suecos, com arquitetura e detalhes familiares, mas em escala reduzida que expõe o absurdo da situação no mercado.

"A ideia é tornar a crise habitacional que os jovens enfrentam visível e tangível. Vemos números e estatísticas em todos os lugares, mas eles podem facilmente se tornar abstratos. Queríamos mostrar exatamente o que um jovem de 25 anos pode comprar hoje e deixar as pessoas vivenciarem essa realidade", explicou Anton Bolin, diretor de arte da BBDO Nordics, em entrevista ao site especializado Dezeen, publicada na quarta-feira (26).
Impacto político e social
O projeto foi lançado às vésperas das eleições gerais suecas, marcadas para setembro de 2026, com o objetivo de colocar a habitação no centro do debate político.
"A esperança é que o próximo governo tome medidas sobre as reformas habitacionais que acreditamos serem necessárias", afirmou Bolin.
Ele destacou que um em cada cinco jovens suecos ainda vive com os pais.
