Por que Stalin aparece em muitas imagens com a mão escondida dentro do paletó?

Filho de pai alcoólatra e agressivo, o pequeno Soso Dzhugashvili enfrentou golpes e violência implacável desde cedo.

Joseph Stalin, uma das figuras mais polêmicas e enigmáticas da história da Rússia e ainda objeto de acaloradas discussões e debates, por muito tempo manteve sua vida privada em segredo. Tudo isso resultou em mitos e lendas sobre ele e, ainda, especulações sobre sua aparência física e o passado que 'formou' seu caráter.

O aspecto físico

De acordo com o historiador e escritor russo Edvard Radzinski, o segundo e terceiro dedos do pé esquerdo de Stalin eram fundidos. Além disso, quando criança, o futuro "pai dos povos" — como a imprensa soviética costumava chamá-lo — não era só magro e pequeno, mas seu rosto também era coberto de marcas de varíola, traços da doença que sofreu quando tinha seis anos.

"Picado de varíola — esse será seu apelido nos relatórios da Gendarmaria", observa Radzinski em seu livro sobre o ex-secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética.

Em inúmeras pinturas, Stalin costuma ser retratado com uma mão escondida dentro do paletó ou com um cachimbo na mão, levemente dobrado. Este famoso cachimbo, que passou a fazer parte de sua aparência, na verdade escondia sua mão esquerda ferida, cuja causa também dá origem a vários mitos.

Em 1885, aos sete anos de idade, foi atropelado por uma carruagem. Como resultado, Joseph sofreu ferimentos graves e diz-se que, por causa disso, seu braço esquerdo permaneceu mais curto que o direito pelo resto da vida, apresentando dificuldade para dobrar o cotovelo.

O próprio Stalin teria explicado a Nadezhda Alliluyeva, sua segunda esposa, que quando criança sofreu um acidente de trânsito e, como não havia dinheiro para um médico, o hematoma infeccionou e sua mão ficou torta.

Radzinski afirma que o complexo de inferioridade física de Stalin influenciou seu caráter. Alguns biógrafos mencionam o caráter vingativo, irascível, reservado e conspiratório do jovem Soso.

O pai de Stalin

Filho de pai alcoólatra e de comportamento agressivo, o pequeno Soso Dzhugashvili enfrentou golpes e violência implacável desde cedo.

Quando seu pai deixou a família, Joseph ficou sozinho com sua mãe. Mas o menino não só se parecia com o pai no rosto — muitos afirmam que havia semelhanças também em seu caráter. "A terrível vida familiar endureceu Soso. Ele era uma criança ousada, rude e teimosa", foi assim que o descreveu Jana Moshiashvili, então com 112 anos, ex-amiga de sua mãe.

Algo sentimental

Mikhail Tseradze, que também estudou na escola teológica de Gori, assim como Stalin, lembra: "o jogo favorito de Soso era o 'krivi' (boxe infantil). Havia duas equipes de boxeadores, os que moravam na parte alta da cidade e os da parte baixa. Batíamos uns nos outros sem piedade, e o pequeno e franzino Soso era um dos lutadores mais ágeis. Ele sabia como se colocar de repente atrás de um adversário forte. No entanto, as crianças gordinhas da parte baixa da cidade se mostravam mais fortes", disse.

"Venha conosco, nosso time é mais forte", ofereceu Tseradze, o melhor boxeador da cidade. Mas ele recusou. Afinal, era o primeiro daquela equipe e sabia como dominar.

Então, mais tarde, ele organizou um grupo dos meninos mais fortes e os chamou de 'Os Três Mosqueteiros'. Piotr Kapanadze, o próprio Tseradze e Grisha Glurdzhidze foram os que humildemente cumpriram todas as ordens do diminuto D'Artagnan.

Após se tornar Stalin e neutralizar seus camaradas revolucionários, Koba — seu pseudônimo no Partido Bolchevique — manteve um carinho, estranho a ele, pelos amigos de sua infância. Durante os anos de dificuldades da guerra e do pós-guerra, ele enviou fielmente a Piotr, Mikhail e Grisha somas consideráveis de dinheiro para a época.

"Aceite um pequeno presente meu. Seu Soso", escreveu Stalin, aos 68 anos, com ternura, em nota a Kapanadze, então com 70, indica Radzinski.