
País europeu indenizará centenas de mulheres por esterilização forçada

O Parlamento dinamarquês (Folketing) aprovou nesta quinta-feira (27) uma indenização de 300 mil coroas dinamarquesas (aproximadamente R$ 241 mil) para cada mulher da Groenlândia que foi submetida a contracepção forçada pelas autoridades dinamarquesas entre as décadas de 1960 e 1990. A informação foi divulgada pela mídia local.

A decisão foi apoiada por ampla maioria no Folketing e, desde que o mecanismo entrou em vigor em 1º de julho, 201 mulheres já solicitaram a indenização.
Em relação à aprovação da lei, a deputada groenlandesa Naaja Nathanielsen celebrou a votação. "A importância deste projeto de lei não pode ser subestimada. É um reconhecimento muito concreto dos traumas infligidos a gerações de mulheres groenlandesas", destacou. Ela agradeceu ainda o amplo apoio ao tema, que "significa muito para as mulheres e para a sociedade groenlandesa".
Contracepção forçada
Entre 1966 e 1970, as autoridades dinamarquesas implantaram aproximadamente 4.500 DIUs em mulheres e meninas groenlandesas em idade fértil sem o seu conhecimento ou consentimento. Muitas das vítimas eram da etnia inuíte. Essas práticas coercitivas, traumáticas e dolorosas perduraram até 1991. Mais tarde, a Groenlândia assumiu o controle do sistema de saúde da ilha de forma autônoma.
Em 2024, 143 mulheres groenlandesas entraram com um processo contra o governo dinamarquês buscando indenização pela inserção forçada de dispositivos contraceptivos. Na época, Copenhague rejeitou a acusação, afirmando que uma investigação para determinar a extensão total dos casos estava em andamento.
Em setembro de 2025, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, apresentou um pedido formal de desculpas em nome da Dinamarca após uma investigação de três anos sobre o escândalo. Segundo o relatório, o governo dinamarquês tentou encobrir 488 casos de esterilização forçada.
