'Império de hackers': EUA são maiores agentes de ciberespionagem do mundo, dispara a China

Após acusação norte-americana de suposta campanha de espionagem digital, a diplomacia de Pequim classificou a fala como desinformação politicamente motivada e sem qualquer prova.

A China acusou os Estados Unidos de difamação e de uso político da segurança cibernética após autoridades norte-americanas anunciarem a apreensão de domínios de internet supostamente utilizados por hackers chineses para atacar órgãos governamentais e infraestrutura crítica.

Em coletiva nesta quinta-feira (27), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que as acusações americanas "carecem de provas" e classificou a iniciativa como uma tentativa de "difamar a China sob o pretexto de segurança cibernética".

Lin afirmou que a China "se opõe firmemente à pirataria informática" e a combate de acordo com a lei. Ao mesmo tempo, acusou Washington de manter um histórico de ataques cibernéticos contra a China.

"Império de hackers"

O porta-voz classificou os EUA como o maior "império de hackers" e "império de espionagem" do mundo e citou operações anteriormente atribuídas à Agência de Segurança Nacional (NSA), incluindo ações contra infraestrutura crítica chinesa.

Segundo Lin, os episódios revelariam uma prática americana de realizar ciberataques e preparar recursos para possíveis operações destrutivas em larga escala contra a China.

"Os EUA, contudo, nunca se manifestaram sobre essa questão", afirmou.

Ataques dos EUA

Na quarta-feira (26), o Departamento de Justiça dos EUA divulgou um comunicado afirmando que "um grupo patrocinado pelo Estado da República Popular da China, conhecido como 'QTFY' e empregado pela empresa chinesa Nanjing Xinjiuwei Network Technology Company [...], criou e operou o QScan e o QTRouter", afirma o texto, apontando suposta campanha hacker.

De acordo com a acusação, esses serviços QScan e QTRouter "funcionam em conjunto" e permitem a varredura e infecção automática de "milhares de dispositivos da internet das coisas".

Ainda segundo os documentos, "entre as vítimas das invasões de computadores da QTFY estão a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), o Federal Reserveo Departamento de Energiao Departamento de Justiça, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e o Senado dos EUA."

Já o diretor-geral do FBI, Kash Patel, afirmou que os agentes desmantelaram "uma 'botnet' global e uma plataforma de hackers usada por cibercriminosos patrocinados pelo Estado chinês para atacar infraestruturas críticas dos EUA".