Ignorados? EUA afirmam que não obtiveram respostas do Brasil em proposta de cooperação para minerais críticos

Washington diz que Brasília não respondeu a dois contatos para formalizar parceria no setor. A disputa por terras raras também envolve processamento e investimentos estrangeiros.

Os Estados Unidos afirmam que o Brasil não respondeu a duas propostas de cooperação em minerais críticos, segundo Matthew Lowe, conselheiro econômico da Embaixada dos EUA em Brasília (DF), segundo informou o South China Morning Post nesta quinta-feira (27). Uma das propostas foi o convite para integrar a Minerals Security Partnership, iniciativa liderada por Washington, e a outra foi uma minuta de acordo enviada em fevereiro.

Durante a Exposibram, em Belo Horizonte (MG), Lowe afirmou que os EUA terão de aguardar as eleições presidenciais brasileiras de outubro para tentar avançar nas negociações.

"Provavelmente, nós teremos que esperar até as eleições, não importa o que aconteça", disse.

Representantes de França, Canadá, Austrália e Reino Unido também participaram do painel. O debate abordou alternativas para reduzir a dependência internacional do processamento de minerais críticos, setor no qual a China exerce forte presença.

Lowe afirmou que cerca de 90% do processamento mundial de terras raras é realizado pela China.

"Muitos de nós estamos desenvolvendo a tecnologia do zero porque ela é controlada pelo único país que realmente tem se dedicado às terras raras, e esse é um problema comum a todos nós", declarou.

Foco: mina brasileira

A empresa americana USA Rare Earth espera concluir a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde por 2,8 bilhões de dólares após uma votação de acionistas prevista para sexta-feira (28). A companhia opera a mina Pela Ema, em Goiás, que produz terras raras utilizadas na fabricação de ímãs permanentes.

Apesar do investimento americano, parte do processamento ainda depende da China. O material produzido pela Serra Verde é enviado ao país asiático para a separação dos elementos.