Israel financia esquema milionário para influenciar chatbots de IA

O objetivo é neutralizar críticas aos crimes de guerra, o uso de fome como arma em Gaza e as acusações de genocídio, apresentando a posição de Israel como um "fato científico e neutro", com base em fontes falsas.

O governo de Israel tem financiado um sofisticado esquema de influência digital para moldar as respostas de inteligência artificial (IA) sobre o conflito em Gaza, informou o The Guardian na quarta-feira (26). 

O centro da operação é o "Hanover Institute for Public Policy", um site que publica textos com aparência acadêmica, mas que, segundo investigações, não possui existência jurídica real, endereço físico ou equipe identificável.

O esquema utiliza uma técnica conhecida como "otimização para mecanismos generativos".

Em um intervalo de apenas nove dias, o instituto publicou mais de meio milhão de palavras estruturadas especificamente para que ferramentas como ChatGPT, Perplexity e Claude passem a citar seus conteúdos como fontes de pesquisa. 

O objetivo é neutralizar críticas aos crimes de guerra, o uso de fome como arma em Gaza e as acusações de genocídio, apresentando a posição de Israel como um "fato científico e neutro".

Esquema milionário

A operação é parte de uma campanha de dezenas de milhões de dólares que utiliza intermediários, como a empresa de publicidade europeia Havas Media, para ocultar o fluxo de capital direto do Estado israelense. 

Documentos de registro de agentes estrangeiros nos EUA confirmam a contratação de empresas de estratégia digital para "implementar conteúdos que gerem enquadramentos específicos em conversas de IA".

Especialistas alertam que, além de manipular o que os usuários leem em buscas diretas, o conteúdo pode entrar nos bancos de dados de treinamento das IAs. 

Uma vez absorvida, a narrativa passa a ser regurgitada pelos modelos sem sequer citar a fonte, tornando o processo de checagem de fatos praticamente impossível para o usuário comum.