
Colonialismo digital? Como gigante de criptomoedas transforma o ecossistema financeiro da África

A Binance, principal provedora de infraestrutura de blockchain e criptomoedas do mundo, encerrou recentemente uma rodada de encontros estratégicos por diversos países do continente africano, informou o Daily Maverick nesta quinta-feria (27).
O objetivo da iniciativa foi fortalecer o compromisso da companhia com o ecossistema de pagamentos digitais na região, estabelecendo diálogos com reguladores, bancos centrais, instituições financeiras e autoridades policiais para explorar o papel dos ativos digitais na modernização dos serviços financeiros.

A equipe executiva da empresa buscou caminhos para integrar as finanças tradicionais aos ativos digitais, focando em conformidade regulatória e na expansão das capacidades de remessas.
"A África sempre foi líder em inovação de pagamentos", disse Cooke,chefe jurídico da Binance na África. "Nosso papel é trabalhar ao lado das pessoas que moldam o futuro das finanças em cada mercado, ouvindo primeiro, colaborando de perto e ajudando a construir a infraestrutura que permite que os ativos digitais se tornem uma parte confiável da vida financeira cotidiana. Foi esse o objetivo desta visita e é um compromisso que continuaremos a desenvolver", afirmou ele.
Ferramentas para transações cotidianas
Por sua vez, o vice-presidente de Pagamentos da Binance, Thomas Gregory, declarou que em toda a África, os pagamentos digitais estão se tornando parte da vida cotidiana.
"Cada mercado avança em seu próprio ritmo, mas a direção é a mesma: os ativos digitais estão se tornando uma maneira prática e confiável para as pessoas movimentarem e gastarem dinheiro", disse Gregory.
Um dos destaques do movimento é o desempenho do Binance Pay. Na África do Sul, mercado mais maduro da empresa no continente, o volume mensal de transações da ferramenta mais que dobrou no último ano, ultrapassando a marca de US$ 10 milhões.
Colonização financeira?
Críticos da expansão das grandes plataformas de criptomoedas na África, porém, questionam se a digitalização financeira representa apenas inclusão ou também pode criar novas formas de dependência.
Um estudo publicado na Frontiers in Blockchain analisou a atuação da Binance na Nigéria e classificou o processo como uma forma de "colonização financeira", argumentando que a empresa utiliza comunidades locais, influenciadores, programas de educação e negociações com autoridades para ampliar sua presença e influência no mercado.
A análise também questiona iniciativas apresentadas como capacitação, apontando que programas como "masterclasses" podem simultaneamente promover a adoção de produtos da própria Binance.

