As negociações entre Estados Unidos e Canadá para um novo acordo comercial fracassaram após divergências sobre as condições finais do pacto, afirmou nesta quarta-feira (26) o representante comercial americano, Jamieson Greer.
Segundo Greer, os dois países haviam chegado a um acordo preliminar em 18 de agosto, mas Ottawa apresentou novas exigências depois que o ministro canadense do Comércio com os Estados Unidos, Dominic LeBlanc, retornou de consultas no Canadá.
"Tinham alguns pedidos adicionais. Tinham algumas coisas adicionais que eram demais para os Estados Unidos", afirmou Greer à emissora canadense CBC News.
Tarifas sobre aço
De acordo com o representante americano, a proposta previa reduzir de 50% para 25% a tarifa aplicada à maior parte do aço canadense que entra nos Estados Unidos, por meio de um sistema de cotas.
Para automóveis fabricados no Canadá, Washington teria oferecido reduzir a tarifa de 25% para 15%, com possibilidade de queda para até 7%.
Greer também negou que os Estados Unidos buscassem controlar os acordos comerciais do Canadá com outros países. Segundo ele, o objetivo era coordenar políticas entre os dois governos, sem dar a Washington poder de decisão sobre a política comercial canadense.
EUA e Canadá divergem
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, apresentou uma versão diferente. Segundo ele, foram os Estados Unidos que introduziram mudanças de última hora nas negociações.
Carney afirmou ainda que a proposta americana teria limitado a capacidade do Canadá de negociar com outros países, ameaçado setores considerados estratégicos e enfraquecido proteções ao idioma francês.
Negociações paralisadas
Greer afirmou que não há atualmente canais de negociação abertos entre Estados Unidos e Canadá.
O representante americano também não descartou novas medidas caso o Canadá avance com tarifas sobre produtos dos Estados Unidos em resposta às decisões de Washington.
"Se houver mais represálias do lado canadense, é claro que não vamos simplesmente ficar sentados aceitando", declarou.