
EUA enfrentam pior crise agrícola em 40 anos por guerra no Irã

Produtores de grãos no chamado Cinturão do Milho dos Estados Unidos enfrentam a pior crise financeira em décadas, agravada pela disparada dos custos de diesel e fertilizantes após a guerra com o Irã, de acordo com o veículo britânico Financial Times.
"Os insumos estão completamente fora de controle", afirmou Matt Bailey, produtor de milho e soja em Nebraska. Segundo ele, o fertilizante 11-52-0, que custava US$ 470 por tonelada há dez anos, agora supera US$ 900.
O diesel também disparou. O preço médio nacional chegou a US$ 5,45 por galão, ante US$ 3,81 antes do início da guerra, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA).

A crise ocorre após anos de preços baixos dos grãos e queda da renda agrícola. Um estudo citado pela reportagem estima que produtores das nove principais culturas, incluindo milho, terão perdas de US$ 31 bilhões em 2026 e US$ 32 bilhões em 2027 sem ajuda governamental.
Além dos custos, agricultores enfrentam os efeitos das tarifas comerciais de Donald Trump e da seca. Nebraska registrou, entre janeiro e julho, o 18º período mais seco para esses meses desde o início dos registros, em 1895.
Maior crise em 44 anos
"O risco para meu negócio, considerando eventos climáticos e custos crescentes, é maior do que nunca em meus 44 anos de carreira", disse John Dittrich, produtor de milho e soja no Estado.
A combinação de oferta menor e clima adverso já elevou os preços. O milho para entrega em dezembro subiu 10% neste mês, para US$ 5,15 por bushel, maior nível desde 2023.
Organizações agrícolas pressionam o governo por mais apoio. A administração Trump solicitou em junho um pacote de US$ 11 bilhões para produtores, mas entidades do setor consideram a medida insuficiente.
A crise também ameaça pressionar a inflação. "Isso definitivamente significará preços mais altos dos alimentos", alertou Brian Choi, presidente-executivo do think tank Food Institute.
