Brasileiros atraídos ao Camboja com promessas de salários altos acabam raptados por call-centers de golpes online, onde relatos apontam retenção de passaportes, ameaças, agressões e trabalho forçado. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo no domingo (23).
A cidade de Poipet, na fronteira com a Tailândia, é apontada por autoridades e organizações internacionais como um dos principais polos desse tipo de tráfico.
As vítimas são recrutadas com ofertas de salários em dólar, hospedagem e contratos de trabalho. Ao chegar, porém, descobrem que deverão aplicar golpes pela internet. Quem tenta sair ou se recusa a cumprir as ordens pode sofrer punições físicas e ameaças contra familiares.
Entre os relatos estão:
- Passaportes retidos logo após a chegada;
- Dívidas impostas por gastos com viagem, alimentação e hospedagem;
- Vigilância constante, com muros, câmeras e postos de controle;
- Agressões físicas, incluindo socos, tapas e choques;
- Ameaças contra familiares para impedir tentativas de fuga.
Em 2025, 44 dos 84 casos de tráfico de pessoas envolvendo brasileiros registrados pelo Ministério da Justiça tiveram o Camboja como destino.
Repressão
O governo cambojano intensificou as operações contra os complexos de golpes desde julho de 2025, após pressão internacional. A quantidade de estrangeiros resgatados com fraturas e outros ferimentos graves causou uma onda de pacientes nos hospitais de Poipet. Os profissionais de saúde da cidade informam porém que um acompanhamento médico adequado às vitímas não foi possível porque a maioria era rapidamente deportada apos a libertação.
Organizações como a Anistia Internacional, porém, questionam a eficácia das ações e apontam casos de vítimas tratadas como criminosas e suspeitas de conluio entre autoridades locais e operadores dos complexos.
O governo do Camboja afirma que investiga denúncias contra autoridades e mantém cooperação com o Brasil para combater os golpes online e repatriar brasileiros vítimas do esquema.