Um estudo liderado pela geóloga Trisrota Chaudhuri, do agência estatal Geological Survey of India, revelou evidências robustas de comunidades microbianas que viveram na Terra há aproximadamente 3,5 bilhões de anos.
O achado, publicado em 17 de agosto na Proceedings of the National Academy of Sciences, destaca-se por um diferencial raro na paleontologia: a capacidade de datar diretamente o material biológico, em vez de apenas estimar sua idade com base nas rochas ao redor.
A descoberta ocorreu no Craton de Singhbhum, no leste da Índia, uma das formações de crosta continental mais antigas do planeta. A equipe identificou camadas de carbono extremamente finas, preservadas em sílica, que possuem a estrutura característica de tapetes microbianos.
Para confirmar a origem orgânica, os cientistas utilizaram espectroscopia Raman e análise de isótopos, constatando que o carbono apresentava uma assinatura típica de processos metabólicos de microrganismos.
O grande trunfo da pesquisa foi a presença de cristais de zircão incrustados nessas camadas de carbono. Como a zircão funciona como um "relógio radioativo" de alta precisão, a análise da proporção entre urânio e chumbo permitiu fixar a idade do depósito em cerca de 3,49 bilhões de anos.
"Encontrar material biológico bem preservado e zircões datáveis na mesma rocha é extremamente raro", afirmou Chaudhuri ao ScienceAlert. "Isso é importante porque nos ajuda a determinar quando a vida já estava presente na Terra primitiva, dando-nos uma ideia mais clara de quão cedo a vida surgiu e como os primeiros ambientes da Terra podem tê-la sustentado".
A forma alongada dos cristais indica que eles foram depositados junto com o sedimento durante eventos vulcânicos, confirmando que a vida já prosperava em ambientes quimicamente extremos e dinâmicos na era primitiva da Terra.