EUA e vizinho voltam às trincheiras: como a guerra comercial ganha novo impulso

Uma nova fase do confronto começou entre dois países cujas economias estão profundamente interligadas.

Os Estados Unidos e o Canadá entraram em uma nova fase de sua guerra comercial após o colapso das negociações. Washington impôs no sábado (22) novas tarifas de 50% sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos canadenses que vão de tacos de hóquei a produtos agrícolas, enquanto Ottawa anunciou uma tarifa retaliatória que entrará em vigor em 8 de setembro.

A escalada ocorre após semanas de negociações que haviam gerado esperanças de um possível acordo. Apenas alguns dias antes, Donald Trump havia adiado a implementação das novas tarifas por três dias, alegando que ambos os lados haviam feito progressos significativos. No entanto, as negociações acabaram fracassando no último minuto.

Quais produtos são afetados?

As novas tarifas americanas afetam aproximadamente 5% das exportações canadenses para o mercado dos EUA. A lista é longa. Os produtos incluídos são:

Alguns setores importantes, como energia, potássio e pesca, estão excluídos dessas novas medidas.

Barreiras сomerciais existentes

A decisão de Washington soma-se às tarifas já existentes sobre setores estratégicos da economia canadense, incluindo aço, alumínio, automóveis e madeira. Para empresas de ambos os lados da fronteira, o acúmulo de medidas comerciais aumentou os custos e complicou as cadeias de suprimentos profundamente integradas entre os dois países.

Trump justificou a nova ofensiva alegando que o Canadá mantém barreiras comerciais que prejudicam empresas e produtores americanos. O presidente também critica há anos as políticas canadenses sobre produtos agrícolas, laticínios e bebidas alcoólicas, denunciando o que considera um tratamento desfavorável aos interesses comerciais dos EUA.

Resposta do Canadá

Ottawa rejeitou essas acusações e acredita que as novas exigências dos EUA vão muito além de uma disputa tarifária. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acusou Washington de usar as relações econômicas como instrumento de pressão e afirmou que o Canadá não aceitará condições que afetem sua soberania ou limitem sua capacidade de comercializar com outros países.

O conflito também ameaça complicar o futuro do acordo comercial entre os Estados Unidos, Canadá e México, conhecido como USMCA. As novas disputas vêm justamente quando os três países deveriam estar avançando com sua revisão, o que aumenta a incerteza para as empresas que dependem do comércio transfronteiriço.

Dimensão política

Trump fez das tarifas uma das principais ferramentas de sua política econômica e tem usado repetidamente a pressão comercial para obter concessões de outros governos. No caso do Canadá, suas declarações sobre a necessidade de incorporar o país vizinho como o 51º estado dos EUA acrescentaram uma dimensão particularmente sensível a uma relação que, durante décadas, foi caracterizada por estreita cooperação.

No Canadá, a posição de Carney contra Washington encontrou apoio até mesmo em setores políticos que normalmente têm opiniões opostas. A disputa fortaleceu o desejo de reduzir a dependência econômica do mercado americano, embora essa tarefa seja particularmente complexa devido ao enorme volume do comércio bilateral.

As consequências econômicas não se limitam às empresas diretamente afetadas pelas tarifas. Quando as importações ficam mais caras, os custos podem ser repassados ​​para fabricantes, distribuidores e consumidores.

Ao mesmo tempo, as empresas podem buscar fornecedores alternativos ou realocar parte de sua produção, gerando novas interrupções nas cadeias de suprimentos.

Para o Canadá, o desafio é particularmente significativo porque os EUA continuam sendo, de longe, seu maior parceiro comercial. Para Washington, a relação não é menos importante: o Canadá é um mercado estratégico para os produtos americanos e um fornecedor crucial de matérias-primas, energia e componentes industriais. Essa interdependência significa que uma guerra comercial prolongada poderia, em última análise, prejudicar ambas as economias.