Seis países da União Europeia querem avançar com a criação de um imposto sobre os lucros extraordinários das empresas de petróleo e energia em meio à disparada dos preços provocada pela guerra no Oriente Médio, segundo relatou a mídia europeia no domingo (23).
Alemanha, Itália, Áustria, Polônia, Portugal e Espanha apresentaram a proposta em uma carta conjunta enviada ao ministro das Finanças da Irlanda, que atualmente ocupa a presidência rotativa do Conselho da UE.
Os governos afirmam que a crise representa "um dos maiores choques de oferta em décadas" e defendem uma abordagem comum para que as empresas beneficiadas pela alta dos preços contribuam para aliviar o impacto sobre a população.
Os seis países querem incluir o tema na agenda da próxima reunião dos ministros de Economia e Finanças da UE, prevista para setembro.
A pressão ocorre enquanto os preços do petróleo permanecem elevados devido ao conflito no Oriente Médio e às interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia.
« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »
Segundo a Oxfam, BP, Chevron, Eni, ExxonMobil, Shell e TotalEnergies registraram quase 40 bilhões de euros em lucros entre abril e junho. A organização estima que o valor possa chegar a 147 bilhões de euros até o fim do ano e defende um imposto permanente de pelo menos 50% sobre lucros que excedam um retorno de 10% sobre o investimento.
A proposta, porém, ainda enfrenta resistência dentro da própria UE e não há decisão sobre a criação de uma nova tributação em nível europeu.