O governo Trump aprovou um pagamento de US$ 5 milhões à Libéria como parte de um acordo para enviar migrantes dos EUA para o país africano, de acordo com documentos internos do Departamento de Estado analisados pelo The New York Times. A revelação ocorre depois que Monróvia anunciou esta semana que aceitará até 1.200 deportados ao longo do próximo ano.
O dinheiro foi aprovado pelo Departamento de Estado em dezembro, dois meses depois de a Libéria concordar em considerar o recebimento de migrantes de países terceiros. Dados de gastos públicos mostram que um pagamento desse valor foi feito em janeiro para "atividades de gestão migratória", embora o registro não o vincule explicitamente ao acordo de deportação.
Os fundos vieram do programa de Assistência a Refugiados e Migrantes dos EUA, criado para financiar a proteção e assistência a refugiados em todo o mundo. Segundo os documentos, a Libéria poderia usar o dinheiro para fortalecer seu sistema de imigração e auxiliar pessoas vulneráveis com abrigo, alimentação e treinamento profissional.
Essa revelação contradiz a versão divulgada pelo governo liberiano ao anunciar o acordo. As autoridades afirmaram que o país não havia "exigido ou recebido qualquer compensação ou promessa de recompensa" por aceitar os deportados, embora tenham reconhecido que receberia apoio na gestão do programa. O governo liberiano não respondeu à pergunta do jornal americano sobre o motivo de ter afirmado que não haveria compensação.
Primeiros Deportados
O acordo começou a ser implementado na quinta-feira (20) com a chegada à Libéria dos primeiros 20 deportados. O país africano concordou em receber até 1.200 cidadãos não liberianos, incluindo pessoas da América do Norte, América do Sul e Caribe. As autoridades locais também afirmaram que os transferidos poderão solicitar asilo na Libéria.
Essa política faz parte da estratégia do governo Trump para acelerar as deportações por meio de acordos com países terceiros quando os migrantes não podem ser legalmente devolvidos aos seus países de origem, em parte devido ao risco de perseguição. De acordo com a Human Rights First, Washington firmou tais acordos com mais de 35 países desde o início do segundo mandato de Trump, uma prática criticada por organizações de direitos humanos por seu potencial impacto na proteção internacional de refugiados.