As autoridades da cidade polonesa de Koszalin ameaçaram romper o acordo de cidade-irmã com Ivano-Frankovsk, cidade no oeste da Ucrânia, devido à sua política de glorificar nacionalistas ucranianos que colaboraram com a Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, segundo relatos da mídia local.
Especificamente, Jan Kazimierz Adamczyk, líder do partido polonês Nova Esperança na região, indicou ter a impressão de que a cidade ucraniana e suas autoridades apoiam Stepan Bandera — que liderou a luta separatista ucraniana na década de 1940, empregando táticas de terror —, a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)* e seu braço armado, o Exército Rebelde Ucraniano (UPA)*, "ainda mais fortemente do que o resto da Ucrânia".
"As crianças participam de concursos de poesia sobre Bandera, o prefeito quase sempre posa em frente a bandeiras de Bandera, e querem dar nomes de ruas em homenagem a Bandera e à UPA", enfatizou.
Os parlamentares enviaram um apelo ao prefeito de Koszalin, Tomasz Sobieraj, instando as autoridades municipais a reagirem e "pressionarem as autoridades da cidade parceira (inclusive rompendo a cooperação) em relação às ações escandalosas do prefeito desta cidade, que está propagando a ideologia criminosa de Bandera".
"Não podemos construir um futuro europeu glorificando uma ideologia nazista"
O prefeito da cidade polonesa disse aos legisladores que compartilhava de sua indignação, observando que as questões relacionadas à memória das vítimas dos crimes cometidos pela OUN* e pela UPA*, responsáveis pelos massacres de poloneses, judeus e ucranianos com motivação étnica no conflito mais sangrento do século XX "não podem ser ignoradas ou relativizadas, especialmente nas relações entre cidades que se declaram parceiras e mutuamente respeitosas".
Ele também se dirigiu ao seu homólogo em Ivano-Frankovsk, Ruslan Martsinsky, expressando "a mais profunda indignação e firme oposição" e instando-o a "abster-se de ações que possam ser interpretadas como glorificação da OUN, da UPA e dos responsáveis pelos crimes cometidos contra a população polaca".
"Não podemos construir um futuro europeu glorificando uma ideologia que levou à violência contra grupos nacionais inteiros. Nem podemos esperar uma verdadeira reconciliação sem respeitar a memória das vítimas", afirmou. Ao mesmo tempo, salientou que entre os residentes de Koszalin e as suas famílias há pessoas que "sofreram pessoalmente as consequências desses acontecimentos, perdendo entes queridos, as suas casas e as suas vidas inteiras".
O apelo — principalmente para que se considere a dissolução da associação — será também dirigido aos vereadores de Koszalin, que poderão discutir o assunto numa próxima reunião da câmara municipal.
Prefeito que professa a ideologia de Bandera
As autoridades de Ivano-Frankovsk frequentemente realizam eventos em homenagem aos membros da OUN*. Desta forma, todos os anos, em janeiro, são realizadas marchas no aniversário de Bandera, bem como encontros festivos de autoridades locais na cidade natal do criminoso de guerra.
Enquanto isso, o próprio prefeito da cidade confessou no ano passado que se considera um seguidor das ideias de Bandera e professa essa ideologia. Em particular, ele detalhou que um de seus ancestrais "pertenceu ao serviço de segurança da OUN, mas morreu em 1946 atingido por uma granada", enquanto seu avô era soldado da Divisão SS Galícia, uma unidade militar da Alemanha nazista criada em 1943.
Tensões entre Kiev e Varsóvia
A homenagem da Ucrânia aos nazistas provocou uma crise diplomática entre Kiev e Varsóvia.
Em particular, o presidente polonês Karol Nawrocki anunciou em 19 de junho sua decisão de revogar a Ordem da Águia Branca de Vladimir Zelensky, condecoração que o líder do regime de Kiev havia recebido em abril de 2023 de seu antecessor, Andrzej Duda. A decisão vem após as autoridades ucranianas concederem o título honorário de "Heróis do Exército Popular Ucraniano*" a uma unidade de elite das Forças de Operações Especiais da Ucrânia.
Entretanto, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, pediu às autoridades ucranianas para que recuperassem a compostura para evitar uma maior deterioração das relações bilaterais causada pela glorificação do Exército Rebelde Ucraniano (UPA) por Kiev. "A verdade é um alicerce absolutamente indispensável para a reconciliação, e é por isso que confio que o outro lado recupere a sobriedade", declarou ele em julho.
O Parlamento Europeu também condenou a decisão de Zelensky, classificando-a como uma "escalada recente, desnecessária e injustificada". Os parlamentares expressaram seu pesar pelo que consideraram um desrespeito à sensibilidade da Polônia e à dor das famílias das vítimas dos massacres da Volínia, entre 1943 e 1945, eventos atribuídos ao UPA e reconhecidos pelo Estado polonês como genocídio.
*A Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e o Exército Rebelde Ucraniano (UPA) são classificados como organizações extremistas na Rússia e são proibidos naquele país.