O Departamento de Estado dos EUA divulgou a lista de parceiros participantes do Programa de Excelência Tecnológica para a Liberdade (FTEP, na sigla em inglês), incluindo a Palantir Technologies, a Anduril Industries, a Victims of Communism Memorial Foundation e o Bitcoin Policy Institute.
No âmbito do FTEP, funcionários do setor privado realizarão trabalhos temporários na agência e contribuirão com sua experiência em áreas como "proteção da liberdade de expressão na era digital", "combate à vigilância digital ilegal e golpes online", "tecnologias projetadas para aprimorar a privacidade", a "governança responsável de tecnologias emergentes" e a "proteção de crianças e outros usuários da internet", afirmou o Departamento de Estado.
A Palantir desenvolve softwares utilizados pelas forças armadas, serviços de inteligência e agências de aplicação da lei, e está sob crescente escrutínio por seu suposto envolvimento em violações de direitos humanos, incluindo sua colaboração com o exército israelense e sua assistência aos EUA no combate à imigração ilegal. A Anduril é conhecida principalmente pela fabricação de sistemas de armas, incluindo drones, mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANTs) baseados em inteligência artificial.
"Não está claro por que esses primeiros parceiros do setor privado teriam experiência em liberdade de expressão", questionou Chris Painter, ex-funcionário do Departamento de Estado e da Casa Branca, citado pela Foreign Policy.
Fundação anti-China e instituto de criptomoedas
Além da Palantir e da Anduril, a lista inclui a Victims of Communism Memorial Foundation, uma organização fundada pelo Congresso dos EUA para documentar os crimes cometidos por antigos regimes comunistas e combater os atuais governos totalitários. A organização mantém uma postura marcadamente anti-China.
"A Victims of Communism Memorial Foundation está entusiasmada em participar deste programa ao lado das gigantes da tecnologia Palantir Technologies e Anduril Industries, bem como do Bitcoin Policy Institute, para desenvolver novas ferramentas e políticas que promovam a liberdade de expressão online, fortaleçam a privacidade e combatam a vigilância digital", disse a fundação à Foreign Policy. "Juntos, estamos levantando nossas vozes para que os mais de 1,5 bilhão de pessoas que ainda vivem oprimidas sob esses regimes perversos possam se manifestar livremente e aprender sobre os crimes do comunismo", acrescentou.
"Juntos, estamos levantando nossas vozes para que os mais de 1,5 bilhão de pessoas que ainda vivem oprimidas sob esses regimes perversos possam se manifestar livremente e aprender sobre os crimes do comunismo", acrescentou. A última organização da lista é o Bitcoin Policy Institute, fundado em 2021. O grupo mantém laços com o governo Trump por meio de Sam Lyman, seu diretor de pesquisa, que anteriormente atuou como conselheiro sênior do secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Especialistas apontam que a seleção desses parceiros reflete menos sua potencial contribuição para o trabalho do Departamento de Estado do que as prioridades políticas de Trump. "No entanto, essa seleção incomum de parceiros está alinhada com o histórico do governo Trump de romper com anos de precedentes de política externa que eram dados como certos em Washington", disse Michelle Giuda, que ocupou vários cargos no Departamento de Estado.
A escolha dessas organizações reflete a natureza anti-China da estratégia do governo Trump, seu foco em investidores em criptomoedas e a integração de tecnologias avançadas na defesa e na inteligência.