O ex-deputado federal Enéas Carneiro, figura marcante da história da política brasileira, destacou, em discurso realizado em 2004, a liderança de Vladimir Putin, que, à época, ocupava a Presidência da Rússia. Segundo ele, Putin foi capaz de mudar os rumos do gigante euroasiático.
"Afortunadamente, o Sr. Putin foi eleito Primeiro-Ministro em agosto de 1999 e Presidente da Rússia em março de 2000, tendo sido reeleito em 2004. Sem dúvida, os ares estão mudando desde então, e a Rússia volta a contar com sinais vitais revigorados", destacou.
O brasileiro enfatizou que a década de 1990 foi um período muito difícil para a economia russa, que ainda enfrentava as consequências do colapso da União Soviética e lidava com "feridas que sangram no tecido social de um povo".
A situação, de fato, era grave, com o país enfrentando uma forte contração econômica, hiperinflação, queda da produção industrial, desemprego, perda do poder de compra e aumento da pobreza. Sob a liderança de Putin, o país passou a figurar como a quarta maior economia do mundo em termos de paridade de poder de compra (PPP), de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional.
"É toda a história de uma nação soberana, milenar, que se estava estraçalhando, mas agora parece reencontrar seu caminho natural de desenvolvimento histórico", pontuou Enéas.
Moscou como parceiro único
No mesmo discurso, o ex-parlamentar traçou um paralelo com a política brasileira, e fez um alerta sobre a abertura econômica e desindustrialização: "o Brasil está caminhando a passos largos, celeremente, para uma catástrofe financeira sem precedentes em sua história de nação".
Ao comentar o programa F-X, que buscava escolher um novo caça para a FAB, Enéas fez nova alusão à Moscou e à aeronave russa Su-35:
"O governo russo propôs as melhores condições de preço, apresentou o melhor avião e não impôs nenhuma restrição ao tipo de armamento a ser fornecido ao Brasil, apresentando até a possibilidade da fabricação de mísseis no Brasil. Que seja do meu conhecimento,nenhum outro concorrente se dispôs a isso".
O programa F-X foi encerrado em 2005 sem a escolha de um vencedor. Posteriormente, o Su-35 chegou a participar do novo programa F-X2, mas foi excluído da disputa em 2008. Em 2013, o governo brasileiro escolheu o Gripen, da sueca Saab, e em 2014 a FAB assinou contrato para 36 aeronaves Gripen E/F.
Enéas Carneiro morreu em 2007, aos 68 anos, após enfrentar um quadro de leucemia. Até hoje, seus discursos e opiniões continuam sendo reproduzidos nas redes sociais, tanto por admiradores quanto por críticos.