Notícias

IA pode abrir caminho para 'colonialismo ideológico ou econômico', dispara Papa Leão XIV

Pontífice defendeu regras para conter desigualdades, proteger direitos e garantir que a tecnologia esteja a serviço do bem comum.
IA pode abrir caminho para 'colonialismo ideológico ou econômico', dispara Papa Leão XIVGettyimages.ru / Simone Risoluti - Vatican Media via Vatican Pool

O Papa Leão XIV alertou nesta sexta-feira (21) que o avanço da inteligência artificial (IA) pode criar novas formas de dependência tecnológica e se transformar em instrumento de "colonialismo ideológico ou econômico", de acordo com o Vatican News.

Segundo ele, países mais pobres correm o risco de se tornar cada vez mais dependentes das nações mais ricas.

O pontífice fez a declaração durante audiência com participantes do 17º encontro anual da Rede Internacional de Legisladores Católicos, cujo tema é "Dignidade humana e inteligência artificial: desafios, oportunidades e controle".

Leão XIV afirmou que o desenvolvimento da IA exige uma reflexão não apenas sobre o que a tecnologia pode fazer, mas sobre o que a humanidade deve fazer. Para ele, a inovação precisa ser guiada por critérios como dignidade humana, bem comum, solidariedade e justiça social.

Domínio e IA

Na avaliação de Leão XIV, algoritmos que determinam quem ganha visibilidade, plataformas que influenciam o debate público sem prestar contas e sistemas que subordinam trabalhadores à otimização tecnológica representam uma "forma sutil de domínio".

"Uma boa legislação deve incentivar a criatividade científica e tecnológica, ao mesmo tempo que salvaguarda os direitos humanos e as liberdades. Deve proteger os usuários da exploração, zelar pela privacidade pessoal, garantir a transparência no uso das tecnologias emergentes e assegurar que elas fortaleçam as instituições democráticas", disse.

O pontífice também destacou a família como a "primeira escola da humanidade" e pediu políticas que fortaleçam o matrimônio, apoiem os pais na educação dos filhos e deem aos jovens maior confiança no futuro.

Ao concluir, Leão XIV afirmou que "o mundo não precisa de uma inteligência artificial que diminua a humanidade", mas de uma tecnologia orientada pela sabedoria, pela responsabilidade e pela caridade, capaz de se tornar "servidora do bem comum".