O governo brasileiro anunciou, nesta quinta-feira (20), o avanço na construção de uma infraestrutura nacional de inteligência artificial (IA) com foco em soberania digital e redução da dependência tecnológica externa.
A nova estrutura de supercomputação prevista para o Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX), no Rio Grande do Norte, terá investimento estimado em cerca de R$ 1 bilhão e deverá alcançar aproximadamente 7,2 mil petaflops. Tal dimensão coloca o equipamento entre os dez de maior capacidade de processamento de IA do mundo.
A estratégia parte da avaliação de que a dependência de infraestrutura estrangeira pode obrigar pesquisadores e empresas brasileiras a processar dados no exterior.
Ao ampliar a capacidade instalada no país, o governo busca garantir maior autonomia para definir onde, como e por quem projetos estratégicos de IA serão desenvolvidos.
Principais ações
- Supercomputação nacional: infraestrutura destinada ao treinamento de modelos e ao desenvolvimento de aplicações de IA em grande escala, com acesso compartilhado entre governo, empresas, universidades e comunidade científica.
- Transferência de tecnologia: o projeto prevê pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local, participação de fornecedores brasileiros e formação de profissionais, além da aquisição do equipamento.
- Segunda frente de supercomputação: está prevista uma infraestrutura no Rio de Janeiro, executada pela RNP em parceria com Huawei e iFlytek, voltada prioritariamente ao desenvolvimento de modelos de linguagem gerais e setoriais.
- RISC-V e chips: o país também mantém uma estratégia de longo prazo com a Espanha baseada na arquitetura aberta RISC-V para ampliar o domínio tecnológico sobre componentes fundamentais.
- Nuvem Brasileira: o projeto busca desenvolver tecnologia nacional para armazenamento e processamento de dados, com padrões abertos e interoperáveis, ampliando o controle brasileiro sobre tecnologias críticas.
- Transparência algorítmica: outro pilar é a capacidade de avaliar sistemas de IA, identificar riscos e vieses e ampliar sua explicabilidade e confiabilidade.
- Formação profissional: as duas rotas de supercomputação preveem 8 mil capacitações em cinco anos, com transferência de tecnologia e parcerias de pesquisa e desenvolvimento.