No dia 20 de agosto, Cheburashka comemora seu aniversário. A data foi escolhida pelo próprio escritor soviético Eduard Uspensky, criador do personagem. Foi em 20 de agosto de 1966 que chegou às livrarias o livro "O Crocodilo Gena e seus Amigos", no qual o simpático animal apareceu pela primeira vez.
Mais de meio século depois, Cheburashka continua reconhecível em diferentes partes do mundo. Seu visual simples — corpo pequeno, olhos grandes, pelos marrons e enormes orelhas redondas — ajudou a transformar o personagem em um verdadeiro símbolo da animação soviética e russa.
Tudo começou dentro de uma caixa de laranjas
A história de Cheburashka começa de uma maneira bastante curiosa. Segundo o livro de Uspensky, o personagem é um animal desconhecido pela ciência, originário de uma região tropical. Um dia, ele entra em uma caixa de laranjas, come parte da fruta e acaba adormecendo.
A caixa é transportada até uma cidade e chega a uma loja. Quando o comerciante abre o recipiente, encontra aquela pequena criatura estranha dentro dele.
Depois de passar muito tempo dentro da caixa, suas patas estavam dormentes. Ao tentar se movimentar, o animal começa a cair repetidamente — da mesa para a cadeira e depois para o chão. É justamente daí que vem seu nome.
A palavra russa "cheburakhnutsya" está relacionada à ideia de cair ou tombar. Assim, o pequeno animal que não conseguia ficar em pé acabou recebendo o nome de Cheburashka.
Mas de onde veio a aparência de Cheburashka?
O personagem que conhecemos hoje não era exatamente igual ao descrito no primeiro livro.
Quando Roman Kachanov levou a história para a animação, em colaboração com o artista Leonid Shvartsman, foi necessário criar visualmente aquela criatura que Uspensky havia descrito de maneira relativamente vaga.
Shvartsman aumentou as orelhas, modificou os olhos, retirou a cauda presente na descrição original e criou as pequenas patas que dificultavam seus movimentos.
Foi assim que surgiu o Cheburashka que ficou gravado na memória de milhões de espectadores.
O encontro com o Crocodilo Gena
Cheburashka ganhou seu companheiro mais famoso: o Crocodilo Gena.
Apesar de ser um crocodilo, Gena trabalha em um zoológico e leva uma vida bastante solitária. Ele decide procurar amigos e coloca um anúncio. É então que Cheburashka e Gena se encontram.
A amizade entre os dois se transforma no coração das histórias. Os personagens enfrentam situações divertidas, ajudam outras pessoas e, acima de tudo, mostram que ninguém precisa enfrentar a solidão sozinho.
A primeira adaptação para o cinema de animação, O Crocodilo Gena, chegou em 1969, produzida pelo estúdio soviético Souzmultfilm e dirigida por Roman Kachanov. Depois vieram Cheburashka (1971), Shapoklyak (1974) e Cheburashka Vai à Escola (1983).
Cheburashka pelo mundo
O personagem recebeu nomes diferentes em vários países. Em versões estrangeiras, Cheburashka chegou a ser chamado de Topple em inglês, Plumps ou Kullerchen em alemão, Drutten em sueco e Muksis em finlandês.
O país onde sua popularidade internacional ganhou uma dimensão especialmente forte foi o Japão. No início dos anos 2000, uma empresa japonesa adquiriu direitos para produzir novas histórias do personagem, o que levou a uma nova geração de adaptações.
E o Brasil? Cheburashka também chegou por aqui
A relação de Cheburashka com o Brasil é curiosa.
Os livros originais sobre Cheburashka e Gena não chegaram a ser publicados no país, e o desenho soviético original também não teve uma exibição ampla na televisão brasileira. Mas o personagem acabou encontrando outro caminho para o público brasileiro.
Em 2010,uma produção japonesa de Cheburashka chegou aos cinemas do Brasil. Alguns anos depois, o filme também foi exibido pelo canal HBO.
Ou seja, embora Cheburashka não tenha no Brasil a mesma presença cultural que personagens como Mickey, Turma da Mônica ou Chaves, sua história também faz parte da circulação internacional da animação russa e soviética.
E existe uma coincidência divertida: a própria história do personagem começa em uma floresta tropical e com uma caixa de laranjas, elementos que podem soar especialmente familiares ao público brasileiro.
Cheburashka nas Olimpíadas
Cheburashka também ganhou um lugar especial na história dos Jogos Olímpicos. O personagem foi escolhido como mascote da delegação russa nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, e voltou a acompanhar os atletas russos em outras edições, como Turim 2006, Pequim 2008 e Vancouver 2010.
Em cada edição, Cheburashka aparecia com uma cor diferente — branco, vermelho ou azul — em uma referência às cores da bandeira russa. As versões olímpicas do personagem rapidamente se tornaram populares entre torcedores e atletas e também passaram a ser disputadas por colecionadores.
De personagem infantil a ícone cultural
Cheburashka também ganhou estátuas, selos, brinquedos e inúmeras outras formas de representação.
Ao longo das décadas, o pequeno animal deixou de ser apenas um personagem de livros infantis. Para várias gerações, ele passou a representar uma ideia muito simples: é possível encontrar amizade mesmo quando parece que não pertencemos a lugar nenhum.
É por isso que, tantos anos depois de sua criação, Cheburashka continua sendo lembrado.