
Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões pela primeira vez na história

A dívida pública dos EUA ultrapassou nesta quarta-feira (19), pela primeira vez na história, os US$ 40 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro divulgados pela agência Reuters. O valor representa praticamente o dobro dos US$ 19,95 trilhões registrados em 2017, quando Donald Trump assumiu seu primeiro mandato na Casa Branca.

De acordo com o último balanço diário do Tesouro, a dívida pública total pendente situou-se na terça-feira (18) em US$ 40,047 trilhões. Desse montante, US$ 32,266 trilhões correspondem a títulos do Tesouro emitidos para o público e US$ 7,782 trilhões à dívida entre órgãos governamentais.
Aproximadamente um terço desse aumento ocorreu durante os dois anos de forte endividamento para financiar a resposta à pandemia da Covid-19 nos governos de Trump e Joe Biden.
Crise à vista?
O rápido crescimento da dívida acendeu novos sinais de alerta sobre a situação fiscal do país. O Comitê para um Orçamento Federal Responsável advertiu que, caso o Congresso não enfrente o desequilíbrio entre receitas e despesas por meio de aumentos de impostos, cortes nos gastos ou uma combinação de ambas as medidas, os EUA poderão caminhar para uma crise da dívida.
A presidente desse comitê, Maya MacGuineas, destacou que a dívida atingiu 40 trilhões menos de cinco meses depois de ultrapassar os 39 trilhões. "Quanto mais pedimos empréstimos, mais agravamos a inflação, prejudicamos outras prioridades do orçamento e ficamos vulneráveis a emergências internas e turbulências no exterior", alertou.
A deterioração das contas públicas também se reflete no déficit. Em julho, ele atingiu US$ 432 bilhões, o quarto maior déficit mensal da história do país, enquanto o acumulado dos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026 já supera o registrado durante todo o exercício anterior.
À pressão dos gastos com programas sociais soma-se o custo crescente do financiamento da dívida. Os EUA destinam cerca de US$ 1,1 trilhão ao pagamento de juros e, nos primeiros dez meses do atual ano fiscal, esse desembolso superou o do Medicare e tornou-se a segunda maior rubrica do orçamento federal, ficando atrás apenas da Previdência Social.

