Expedição russa no Brasil ganha nova leitura 200 anos depois

Mostra reúne registros de uma das maiores viagens científicas pelo interior brasileiro e relaciona documentos históricos às transformações ambientais do país.

A Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (Bora), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, recebe a partir desta quarta-feira (19) a exposição "Langsdorff – A Expedição Fluvial 200 anos Depois". A mostra integra a 16ª edição do Festival Hercule Florence de Fotografia e será aberta no Dia Mundial da Fotografia.

Da Rússia ao Brasil

Liderado pelo médico e naturalista russo Georg Heinrich von Langsdorff, uma expedição percorreu cerca de 13 mil quilômetros pelo interior do Brasil entre 1821 e 1829.

A etapa fluvial partiu de Porto Feliz (SP), em 1826, pelo rio Tietê, seguindo até Cuiabá e depois para a Amazônia. O grupo produziu desenhos, mapas, diários e estudos sobre fauna, flora e povos brasileiros.

Entre os membros estava Hercule Florence, que viveu por quase cinco décadas em Campinas e realizou experimentos pioneiros ligados à fotografia.

Dois séculos depois

A exposição coloca os registros da expedição em diálogo com as transformações do território brasileiro, como urbanização, expansão agrícola e mudanças ambientais.

"É uma forma de aproximar esses documentos da comunidade da Unicamp e de Campinas e, ao mesmo tempo, ampliar o diálogo sobre a história da fotografia e sobre o patrimônio que temos aqui", afirma Danielle Thiago Ferreira, coordenadora técnica da Bora.

A mostra fica em cartaz até 25 de setembro, com entrada gratuita.