Ex-comandante da FAB revela pressão de Bolsonaro após derrota nas eleições

Carlos de Almeida Baptista Júnior relatou que o então presidente apresentou alternativas aos militares e que havia temor de uma iniciativa isolada dentro do Exército.

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior, afirmou que temeu uma "ruptura entre tropas" durante a crise que se seguiu às eleições de 2022 e avaliou que o risco de uma ruptura institucional chegou a ser iminente. A entrevista foi concedida a Folha de S.Paulo e publicada na segunda-feira (17).

Baptista Júnior relatou que Bolsonaro apresentou aos comandantes das Forças Armadas alternativas após a derrota eleitoral e que a tensão aumentou diante do temor de uma iniciativa isolada dentro do Exército.

O ex-comandante afirmou ainda que não conhecia a posição de todos os comandos militares naquele período e temia que alguma iniciativa dentro do Exército contrariasse a postura legalista adotada pelo então comandante da Força, general Freire Gomes.

Votei em Bolsonaro

O militar também revelou que votou em Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022.

Ele disse, porém, que naquele momento não acreditava que o ex-presidente pudesse romper com a democracia.

Baptista Júnior defendeu que os militares não devem assumir o protagonismo institucional. 

O ex-comandante também criticou a retomada de questionamentos sobre a segurança do processo eleitoral e disse considerar essa estratégia prejudicial em um ambiente político já marcado pela polarização.

Protestos nos quartéis

Baptista Júnior também explicou por que os protestos mantidos diante dos quartéis não foram dispersados naquele período pós eleição.

Segundo ele, havia preocupação com a possibilidade de confronto caso os manifestantes fossem retirados à força.

"Iria ter um mar de sangue lá", afirmou.

Segundo ele, os comandantes procuraram evitar um confronto enquanto defendiam que as manifestações permanecessem dentro da legalidade.