A Petrobras confirmou na segunda-feira (17) a presença de petróleo no poço exploratório Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta abre uma nova etapa de exploração na Margem Equatorial, mas ainda são necessárias outras perfurações e avaliações para dimensionar o potencial da acumulação e volume de produção.
O poço está a cerca de 175 quilômetros da costa, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59.A Petrobras, que detém 100% da área, identificou hidrocarbonetos por meio de perfis elétricos e indicativos nas rochas.
A principal dúvida no momento é quanto petróleo existe no poço. A companhia ainda não divulgou uma estimativa de volume. A perfuração do Morpho continuará por mais 15 a 20 dias e deverá fornecer novos dados sobre o reservatório.
Depois, estão previstos três novos poços na mesma área e outros cinco em áreas adjacentes. A campanha servirá para dimensionar a extensão da acumulação, suas características e o volume de petróleo que poderia ser efetivamente recuperado.
"Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país", afirmou a presidente da estatal, Magda Chambriard.
Condições e exploração
A descoberta ainda precisa cumprir algumas etapas para ser comercial. Será necessário confirmar se há petróleo em quantidade e condições que justifiquem os altos investimentos exigidos pela produção em águas profundas. A boa notícia é que a Petrobrás é referência neste tipo de exploração.
Além da avaliação dos poços, novas perfurações dependem de licenciamento ambiental do Ibama. A licença concedida em outubro de 2025 autorizou a perfuração do Morpho, mas não representa autorização para uma futura produção.
Se o potencial for confirmado, a Petrobras ainda terá de definir o projeto de desenvolvimento do campo, infraestrutura, investimentos e obter as licenças correspondentes. Portanto, não há previsão de quando a região poderia começar a produzir.
Em entrevista recente, a presidente da Petrobras estimou que o novo polo energético brasileiro deverá iniciar a exploração de fato em sete anos. "Essa descoberta no Amapá representa a manutenção do Brasil como um polo geopoliticamente importante no mundo do petróleo", disse.
Descoberta é estratégica
A Foz do Amazonas integra a Margem Equatorial, considerada pela Petrobras uma nova fronteira exploratória. A região ganhou importância após grandes descobertas de petróleo na vizinha Guiana.
A estatal também busca novas reservas para reforçar o potencial do pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção brasileira. Segundo Chambriard, o pré-sal deve atingir seu pico entre 2034 e 2035.