Brasil e Irã discutem o fortalecimento da cooperação econômica e comercial, incluindo a possibilidade de ampliar o uso de moedas locais nas transações bilaterais.
Segundo a Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA), o vice-ministro da Economia e Finanças do Irã, Mehdi Heidari, reuniu-se recentemente com o Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda do Brasil, Mathias Alencastro.
O encontro ocorreu à margem da reunião dos ministros da Economia e Finanças e dos governadores dos bancos centrais do BRICS, em Jaipur, na Índia.
Heidari destacou o apoio brasileiro à entrada do Irã no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do BRICS, e afirmou que as necessidades e capacidades produtivas dos dois países são complementares. O iraniano defendeu a criação de mecanismos para apoiar empresas e ampliar o intercâmbio comercial.
Uso de moedas locais
Entre as alternativas discutidas está a utilização de moedas locais nas operações comerciais e a realização de acordos de permuta de produtos. Segundo o vice-ministro iraniano, essas medidas poderiam ajudar a reduzir os efeitos das atuais restrições ao comércio entre os dois países.
« ENTENDA POR QUE A DESDOLARIZAÇÃO ACELERA »
As delegações também ressaltaram a necessidade de garantir maior estabilidade às cadeias de valor e concordaram em reforçar a cooperação no setor agrícola, especialmente por meio da troca de produtos de interesse mútuo.
Brasil e Irã ainda defenderam a continuidade das negociações para concluir acordos destinados a facilitar investimentos e negócios. Entre eles estão um tratado para evitar a dupla tributação e outro para incentivar e proteger investimentos recíprocos.
Ao final do encontro, os dois governos reafirmaram a intenção de manter as consultas e buscar novos acordos para aprofundar as relações econômicas, elevar o comércio bilateral e ampliar a participação do setor privado nas economias dos dois países.
O caminho para a desdolarização
- O dólar americano tem sido a principal moeda de reserva mundial desde a Segunda Guerra Mundial e atualmente representa 58% das reservas internacionais, segundo dados do think tank Atlantic Council.
- No entanto, nos últimos anos, e especialmente desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em 2022, e a subsequente escalada das sanções financeiras por parte do Ocidente, diversos países — incluindo membros do BRICS — expressaram a intenção de acelerar os esforços para diversificar suas economias e reduzir sua dependência do dólar.
- Ao mesmo tempo, o atual conflito no Oriente Médio, embora não tenha eliminado o petrodólar, acelerou a tendência já existente de desdolarização do comércio internacional. A escalada do conflito levou bancos centrais internacionais a se desfazerem massivamente desses ativos, reduzindo as reservas do Banco da Reserva Federal de Nova York para US$ 2,7 trilhões, o nível mais baixo em 14 anos.