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Julgamento estadual de Luigi Mangione é adiado indefinidamente após confissão

Defesa tenta extinguir processo em Nova York por homicídio sob argumento de que Mangione estaria sendo punido duas vezes pela mesma conduta.
Julgamento estadual de Luigi Mangione é adiado indefinidamente após confissãoGettyimages.ru / Steven Hirsch-Pool

O julgamento estadual de Luigi Mangione pelo homicídio de Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, foi adiado indefinidamente após a defesa pedir a extinção do processo. Os advogados alegam dupla punição pela mesma conduta, depois de Mangione se declarar culpado no caso federal. A informação foi publicada pela Associated Press nesta segunda-feira (17).

O juiz Gregory Carro cancelou o julgamento, previsto para começar em 8 de setembro, e deu à Promotoria de Manhattan até 9 de outubro para responder ao pedido. Uma audiência foi marcada para 10 de dezembro.

Mangione, de 28 anos, declarou-se culpado na sexta-feira (14) por duas acusações federais de perseguição e admitiu ter atirado em Thompson. "Na manhã de 4 de dezembro de 2024, eu atirei no senhor Thompson em Manhattan, e ele morreu", afirmou.

Dupla punição

Após a confissão, a defesa acusou promotores estaduais e federais de estarem "tentando puni-lo duas vezes pela exata mesma conduta" e pediu a extinção do processo estadual por dupla punição e violação do devido processo legal.

Nova York tem proteções particularmente fortes contra processos sucessivos. Uma ação estadual pode ser barrada quando um processo federal envolvendo a mesma conduta ou transação criminal termina em confissão de culpa ou após a formação do júri.

A Promotoria de Manhattan declarou que vai combater a tentativa de encerrar o caso. O órgão sustenta que as acusações estaduais de homicídio e crimes com armas envolvem elementos jurídicos e condutas diferentes das acusações federais.

Penas e disputa

Mangione pode receber prisão perpétua no processo federal, cuja sentença está marcada para 18 de dezembro. As diretrizes federais indicam pena de 24 a 30 anos, mas os promotores disseram que pedirão prisão perpétua.

No processo estadual, no qual Mangione se declarou inocente, a pena também pode chegar à prisão perpétua caso a ação sobreviva à contestação da defesa.

Os advogados sustentam que o deslocamento entre estados e o uso de celular, internet, rodovias e hospedagem fazem parte da mesma transação criminal que culminou no homicídio. A Promotoria contesta essa interpretação, e caberá ao juiz Gregory Carro decidir se a proteção de Nova York contra processos sucessivos se aplica ao caso. A decisão poderá ser alvo de recurso.