
China busca socialismo 'que beneficie mais de um bilhão de pessoas', afirma Xi Jinping

O presidente da China, Xi Jinping, conduziu, nesta segunda-feira (17), uma cerimônia de homenagem ao ex-mandatário do país Jiang Zemin. Morto em 2022, ele completaria 100 anos nesta data. "Mais sinceras homenagens às suas conquistas extraordinárias, e aprendemos com sua nobre conduta", destacou, conforme reportado pela agência estatal Xinhua.
Xi acrescentou que Jiang defendia a construção de uma sociedade "que beneficie mais de um bilhão de pessoas". A partir dessa visão, o atual líder chinês afirmou que o desenvolvimento deve permanecer centrado nas pessoas e ter como objetivo a prosperidade comum.

A cerimônia
Realizada em Pequim, a cerimônia reuniu cerca de 6 mil pessoas. Xi, que também ocupa os cargos de secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCCh), descreveu Jiang como um veterano combatente comunista e líder da causa do socialismo com características chinesas.
Jiang foi o núcleo da terceira geração da liderança coletiva central do PCCh. Nascido em Yangzhou, na província de Jiangsu, em agosto de 1926, assumiu a secretaria-geral do Comitê Central do partido em 1989.
Segundo Xi, Jiang contribuiu para a preservação do socialismo com características chinesas, a ampliação das reformas e da abertura econômica e a elevação do padrão de vida da população.
"Jiang sempre esteve ao lado do povo e se preocupou com o seu bem-estar", afirmou Xi. O presidente chinês também citou uma das principais concepções atribuídas a Jiang sobre o desenvolvimento econômico: "O objetivo fundamental do desenvolvimento econômico é elevar o padrão de vida das pessoas".
Marxismo adaptado
Xi também destacou o papel de Jiang na formulação da Teoria das Três Representações, que, segundo ele, respondeu às questões sobre "o que é o socialismo e como construí-lo", além de definir os caminhos para a construção do partido.
"A teoria parte do princípio de que o PCCh, ao conduzir a etapa primária do socialismo, deve incorporar todos os que se comprometam com a modernização chinesa e o desenvolvimento das forças produtivas. Este é o eixo central definido pelo Partido: sem crescimento econômico não há socialismo", aponta análise da Fundação Maurício Grabois, do Partido Comunista Brasileiro (PCdoB).
A atuação de Jiang também foi associada à maior abertura internacional da China, especialmente à entrada do país na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para Xi, a experiência do ex-presidente demonstra a necessidade de continuar reinterpretando o marxismo.
"Nesta nova jornada, devemos responder adequadamente às questões que a China, o mundo, o povo e os tempos enfrentam, e constantemente inovar na adaptação do marxismo ao contexto chinês e às necessidades da época", declarou.
Reforma, estabilidade e soberania
Xi ainda ressaltou o pensamento estratégico de Jiang e sua atuação diante de crises. Para o atual presidente, Jiang tomou decisões firmes em momentos considerados críticos e contribuiu para a continuidade das reformas e da modernização socialista.
"Nesta nova jornada, devemos estar preparados para resistir a ventos fortes, águas turbulentas e até mesmo tempestades perigosas, salvaguardar resolutamente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento", concluiu Xi.

