O presidente da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, ameaçou o governo espanhol com medidas legais caso a crise migratória, iniciada há quase três semanas, não seja resolvida em 30 dias. A informação foi divulgada pelo El País nesta segunda-feira (17).
"Minha intenção é levar a situação ao presidente do Supremo Tribunal e ao presidente do Tribunal Constitucional, caso estejam dispostos a se reunir comigo. O Judiciário é a pedra angular do Estado de Direito. Ceuta vive um estado de emergência", explicou.
Durante um pronunciamento público, Vivas denunciou a "falta de resposta adequada" do governo liderado por Pedro Sánchez após a entrada irregular em massa de dezenas de milhares de pessoas que cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta, em sua maioria a nado, nos dias 30 e 31 de julho.
"Nos primeiros dias de agosto, [o governo] tentou mascarar a realidade alegando que a normalidade havia sido restabelecida", criticou Vivas em um pronunciamento após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, acrescentando: "Depois, uma passividade quase completa na adoção de medidas para alcançar a normalidade", segundo o jornal El País.
Além disso, Vivas mencionou uma possível razão para a inação do governo: "Não querer desagradar os vizinhos para manter o que consideram relações pseudo-boas", o que os levaria a não agir "com a firmeza e a força necessárias diante de um hipotético plano concebido pelo outro lado, visando atacar Ceuta sucessivamente até sua queda definitiva".