Linha de transmissão chinesa vira 'artéria verde' para o Brasil

O projeto, construído e operado por uma estatal chinesa, lida com um problema histórico no Brasil: levar energia hidrelétrica da Amazônia aos grandes centros de consumo do Sudeste.

O segundo trecho da linha de transmissão em corrente contínua de ultra-alta tensão de Belo Monte se consolidou como uma das obras mais importantes de infraestrutura energética global recente, segundo relatou a imprensa chinesa nesta segunda-feira (17).

Construído e operado de forma independente pela State Grid Corporation of China, sob concessão de 30 anos, o empreendimento é hoje uma das linhas de ±800 kV mais longas do mundo, com 2.534 quilômetros.

A linha transporta energia limpa gerada na usina de Belo Monte, na Amazônia, até os centros consumidores do Sudeste, incluindo a região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a State Grid, o projeto resolve um desafio estrutural histórico do Brasil: a concentração de recursos hídricos no Norte e da demanda elétrica no Sudeste.

O sucesso da primeira fase foi decisivo para que a companhia chinesa obtivesse 100% dos direitos de concessão na segunda etapa, segundo Ye Xiaoning, engenheiro sênior do State Grid Energy Research Institute.

Com base nesse histórico, a State Grid iniciou um terceiro projeto: uma nova linha de 1.468 quilômetros, a maior já feita no setor elétrico brasileiro, que vai combinar energia eólica, solar e hídrica do Nordeste, com operação prevista para 2029.

Para o acadêmico Shu Yinbiao, da Academia de Engenharia da China, a tecnologia chinesa de ultra-alta tensão pode sustentar a interconexão de infraestruturas em todo o mundo, reforçando os padrões técnicos chineses no mercado internacional.