Ocidente e Ucrânia estão preparando 'provocação' na América Latina para culpar a Rússia, denuncia inteligência russa

"A Rússia será acusada de fornecer ilegalmente armas a cartéis de drogas e outros grupos do crime organizado na Venezuela, Colômbia e México", diz o comunicado.

Os serviços de inteligência de um país ocidental, "em coordenação com seus capangas ucranianos", estão orquestrando "uma nova farsa anti-Rússia" na América Latina, denunciou nesta segunda-feira (17) o Gabinete de Imprensa do Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR) da Rússia.

"Planejam acusar a Rússia de fornecer armas ilegalmente a cartéis de drogas e outros grupos do crime organizado na Venezuela, Colômbia e México. Para isso, armas de fabricação russa capturadas pelo inimigo durante a operação militar especial já estão sendo contrabandeadas para esses países", explicou a agência.

Segundo a inteligência russa, em paralelo, estão sendo preparados materiais de áudio e vídeo falsos que "confirmariam os fatos" da entrega de armas a grupos criminosos latino-americanos pelos russos através de intermediários.

"Para conferir maior credibilidade, este 'conjunto' de materiais pretende ser sustentado por documentação falsa que aponte para o alegado envolvimento de membros das Forças Armadas Russas nesta 'conspiração'", afirma o SVR.

O SVR explicou que "os 'diretores' desta provocação calculam ingenuamente que, desta forma, conseguirão minar" as relações da Rússia com os países latino-americanos e pressionar seus governos a apoiar a linha anti-Rússia do Ocidente.

"No entanto, a única coisa que os russófobos conseguirão é demonstrar, mais uma vez, a ausência de quaisquer restrições morais, bem como a natureza esquemática e previsível de suas ações", enfatizou o órgão.

Práticas profundamente enraizadas

A inteligência russa lembrou que, desde o início do conflito ucraniano, a guerra de informação travada pelas elites euro-atlânticas contra a Rússia tem sido caracterizada pela disseminação e promoção de "planos atrozes, que ultrapassam a moral e a lei", incluindo " o sangrento evento encenado que orquestraram em Bucha em abril de 2022". Esse evento encenado foi usado pelo Ocidente para intensificar ainda mais o confronto na Ucrânia, enfatizou a organização.

Ao mesmo tempo, a inteligência russa enfatizou que esse tipo de encenação não é uma invenção recente dos serviços de inteligência ocidentais, mas está profundamente enraizado em suas práticas, citando como exemplo o início da Segunda Guerra Mundial após a provocação de Gleiwitz, em 31 de agosto de 1939, quando membros da SS disfarçados com uniformes poloneses atacaram uma estação de rádio nessa cidade fronteiriça alemã.

"O curso subsequente da história, no entanto, mostrou que o preço de tal encenação poderia ser muito alto, especialmente para os próprios organizadores", conclui o texto.