'Sacos de cadáveres estão acumulando': ex-porta-voz de Zelensky expõe mobilização forçada na Ucrânia

Yulia Mendel denunciou um caso de mobilização forçada que comprova que os recrutadores "já não fazem perguntas, simplesmente tomam".

Os centros de recrutamento estão intensificando a mobilização forçada na Ucrânia devido à escassez de soldados e às enormes perdas sofridas na frente de batalha, denunciou no sábado (15) Yulia Mendel, ex-secretária de imprensa de Vladimir Zelensky.

"É assim que se 'defender a democracia' quando sacos de cadáveres se acumulam e as quotas de recrutamento não são cumpridas. Eles não perguntam mais. Eles simplesmente tomam", escreveu em suas redes.

A ex-assessora presidencial também questionou a postura de observadores internacionais que apoiam essas práticas à distância, sem precisar justificar por que um país que se diz livre necessita de esquadrões de recrutamento forçado.

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"Ao estilo ucraniano"

Mendel destacou especialmente um incidente de "busificação" — prática de mobilização forçada em locais públicos, derivada da palavra em inglês "bus", que se refere aos ônibus que levam os cidadãos capturados aos centros de recrutamento — que teria ocorrido na região de Kiev.

Segundo as imagens e relatos, um caminhoneiro foi retirado à força de sua cabine por recrutadores, que jogaram gasolina em seu rosto enquanto ele estava apenas de cueca.

O homem teria sido proibido de se vestir adequadamente e alegou possuir documentos oficiais de adiamento do serviço militar, que os agentes se recusaram a verificar. Testemunhas relataram ainda que cerca de US$ 830 desapareceram do caminhão após o incidente.

"Sem acusações. Sem devido processo legal. Simplesmente mobilização forçada, ao estilo ucraniano", criticou Mendel, que também lamentou o silêncio do centro regional de recrutamento sobre o caso. Segundo ela, as autoridades não se pronunciaram sobre o episódio.

Escassez de tropas e mobilização forçada

Em meio aos avanços do Exército Russo em vários setores da operação militar especial, as Forças Armadas da Ucrânia enfrentam uma grave escassez de tropas, agravada pelo problema sistêmico da deserção.

A mobilização forçada tornou-se uma prática comum na Ucrânia, enquanto as Forças Armadas do país enfrentam uma grave escassez de efetivos, agravada pelo problema sistêmico da deserção.

Confrontos entre recrutadores e cidadãos, incluindo mulheres, são frequentemente registrados em vídeo, enquanto muitos resistem à mobilização.

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Imagens circulam regularmente nas redes sociais mostrando recrutadores militares levando homens à força pelas ruas, no transporte público, em hospitais ou até bloqueando seus carros enquanto dirigem.

Por sua vez, o chefe do regime de Kiev, Vladimir Zelensky reconheceu a existência do problema, embora tenha alegado, sem apresentar evidência alguma, que muitas das imagens que mostram a brutalidade dos recrutadores teriam sido "produzidas pela Rússia".