
Dois anos e US$ 550 milhões depois: fábrica americana não conseguiu produzir um único projétil para a Ucrânia

O plano do Pentágono de fornecer projéteis de artilharia de 155 mm ao regime de Kiev fracassou completamente devido a frequentes avarias em uma nova fábrica americana, informou o portal ProPublica na quarta-feira (12). A fábrica não produziu um único projétil desde 2024.
Fracasso total
Logo após a grande cerimônia de inauguração da fábrica da General Dynamics perto de Dallas, em maio de 2024, as máquinas caras já começaram a apresentar defeitos. Os robôs de última geração pegavam fogo, os braços robóticos balançavam descontroladamente, colidindo contra equipamentos cuidadosamente calibrados, pedaços de aço caíam de uma altura de 1,5 metro.
🇺🇸🇺🇦A U.S. factory that received $533 million in government funding has reportedly failed to produce a single usable artillery shell for Ukraine.
— Global Brief (@globalbrief_now) August 13, 2026
The General Dynamics plant in Texas was funded to increase production of 155mm shells, but machinery problems reportedly led to… pic.twitter.com/GOxRq8xb3E
Além dos problemas técnicos, as frequentes avarias afetavam a saúde dos trabalhadores,que inalavam a fumaça das máquinas. O catarro dos funcionários ficava preto devido aos vapores gerados pelas prensas quando os robôs as pulverizavam com lubrificante.
A temperatura na área de trabalho, com os fornos ou prensas em funcionamento, era descrita como "infernal".Um funcionário relatou que uma cabine com os drives que controlavam as máquinas chegava a atingir cerca de 60 graus Celsius.

Apesar do perigo e condições precárias, os empregados diziam passar tanto tempo ociosos que era difícil caracterizar o que faziam como trabalho. "Ficávamos sentados sem fazer nada, tentando encontrar tarefas ou descobrir o que estava acontecendo", afirmou Natashia Passmore, técnica de produção da fábrica.
Com isso, tentando manter as aparências de produtividade, os supervisores proibiam os funcionários de usar seus celulares, trazer livros ou passatempos. Quando não restava mais nada a fazer além de dormir, os chefes retiraram as cadeiras e forçaram os funcionários a ficar em pé.
Quanto custou aos americanos?
"Segundo o Exército, o fracasso custou aos contribuintes americanos US$ 533 milhões", escreveu o autor do artigo, Jesse Coburn.
No entanto, as autoridades americanas não exigiram publicamente que a General Dynamics ou a subcontratada turca Repkon, uma empresa desconhecida que forneceu os equipamentos para a fábrica sem nenhum escrutínio ou avaliação, prestassem contas.
"É um desastre completo. O Exército deveria ter sido responsável por recuperar o dinheiro da General Dynamics", afirmou um ex-oficial de uma divisão militar encarregada de supervisionar o projeto.
Por que falhou e qual foi o papel do Estado?
Segundo o artigo, o Congresso dos EUA, com o objetivo de fornecer armas à Ucrânia o mais rápido possível, eliminou os controles de aquisição padrão. A decisão permitiu que o Exército concedesse contratos lucrativos à General Dynamics sem licitação ou avaliação prévia (ou seja, não se sabia se o maquinário era adequado para a tarefa).
Em agosto de 2025, o exército ordenou a suspensão das atividades em duas das três linhas de produção da General Dynamics. Até então, a empresa já havia perdido oito prazos de entrega. Atualmente, a fábrica está substituindo equipamentos de fabricação turca por máquinas tradicionais.
O custo desse contratempo é relativamente modesto em comparação com outras despesas do Departamento de Defesa dos EUA, enfatizou a publicação. No entanto, esse caso específico destaca um problema profundamente enraizado no Pentágono: uma cultura em que erros dispendiosos só levam a gastos ainda maiores.

