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Acusação de espionagem dos EUA contra China pode afetar megaprojeto na Argentina

O embaixador dos EUA na Argentina alega que a Huawei seria obrigada a fornecer informações ao governo chinês e alertou para possíveis consequências para os investimentos em energia.
Acusação de espionagem dos EUA contra China pode afetar megaprojeto na ArgentinaGettyimages.ru / Kevin Frayer

O embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Peter Lamelas, afirmou, em um evento promovido pela AmCham, em Buenos Aires na quinta-feira (13), que a participação da empresa chinesa Huawei pode prejudicar a chegada de investimentos estrangeiros à região de Vaca Muerta, segundo informações do jornal La Nación.

O diplomata destacou que a segurança de dados em setores estratégicos é fundamental para atrair capital internacional. Segundo alegações de Lamelas, o governo da China exige que suas empresas forneçam qualquer dado que transite por suas tecnologias e redes de inteligência artificial.

O embaixador argumentou que empresas de diversas nacionalidades buscam garantias de que suas informações estejam protegidas em redes de confiança antes de investirem no país.

Ameaça e resposta da China

A disputa se intensificou depois que veio à tona que funcionários da embaixada dos EUA haviam ameaçado executivos da CALF (Cooperativa Provincial de Serviços Públicos e Comunitários de Neuquén), a maior distribuidora de energia da Patagônia, com possíveis restrições de visto caso o acordo com a Huawei fosse concretizado.

A empresa chinesa considerou a situação como pressão indevida e apresentou uma queixa ao Ministério das Relações Exteriores da Argentina, enquanto Lamelas confirmou posteriormente que os alertas estavam de acordo com a política de Washington.

A China rejeitou as acusações e denunciou Washington por "alimentar deliberadamente a narrativa da ameaça chinesa". A embaixada chinesa em Buenos Aires também afirmou que a Argentina, como nação soberana, tem o direito de decidir autonomamente com quais empresas coopera e questionou o uso de argumentos de segurança nacional pelos EUA para tentar influenciar essas decisões.

A controvérsia é particularmente relevante dada a importância estratégica do campo petrolífero de Vaca Muerta e a crescente presença de capital americano no setor. A Bacia Neuquina está passando por rápida expansão e atraindo novos investimentos internacionais, enquanto a província se prepara para conceder novas áreas para o desenvolvimento da produção de hidrocarbonetos não convencionais.