Putin visita Curilas pela primeira vez e reforça soberania das ilhas contra reivindicações do Japão

O presidente russo realizou inspeção em complexo pesqueiro, hospital e escola na ilha de Iturup, um dia após críticas a sanções japonesas e presença da OTAN na região.

O presidente da Ríússia, Vladimir Putin, visitou pela primeira vez as ilhas Curilas nesta quinta-feira (13), desembarcando na ilha de Iturup, acompanhado pelo governador da região de Sacalina.

Durante a jornada, Putin inspecionou o complexo de processamento de peixe Yasny, onde conversou com funcionários e provou caviar local. 

O presidente visitou também o hospital distrital central das Curilas e a escola secundária que leva o nome do herói russo E.D. Norpolov, morto no conflito russo-ucraniano.

Interesses nacionais na região do Pacífico

A bordo do cruzador de mísseis Varyag, na quarta-feira (12), Putin acompanhou a fase final dos exercícios da Frota do Pacífico. Ele destacou que essas manobras são necessárias para manter a prontidão de combate e proteger os interesses nacionais na região Ásia-Pacífico, incorporando a experiência da operação militar especial.

Durante o evento, o presidente fez duras críticas ao Japão pela inclusão inédita da Rússia entre as principais fontes de ameaça em seus documentos militares doutrinários — o "Livro Branco da Defesa" —, além de impor sanções não provocadas.

"Não ameaçamos o Japão. Não temos absolutamente nenhuma reivindicação contra ele", afirmou, observando que as pretensões territoriais partem de Tóquio, não de Moscou.

O presidente russo relembrou que a soberania das Curilas, localizadas entre a península russa de Kamchatka e a ilha japonesa de Hokkaido, está estabelecida em documentos internacionais como resultado da Segunda Guerra Mundial.

Mencionou que, nos anos 1950, a União Soviética assinou uma declaração que abria caminho para um tratado de paz, mas o Japão recuou. Posteriormente, a Rússia retomou o diálogo a pedido japonês, desenvolvendo relações construtivas com o falecido primeiro-ministro Shinzo Abe. Contudo, lamentou mudanças não provocadas na posição de Tóquio.

Crescentes ameaças na região Ásia-Pacífico? Leia a avaliação de Putin, leia este artigo.