
Israel acusa país europeu de ter uma "postura anti-israelense"

Israel revogou o status diplomático de oito diplomatas noruegueses que trabalhavam como representantes da Palestina, afirmou na quinta-feira o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz.
Katz enfatizou que a decisão foi tomada em resposta ao que ele descreveu como a "postura anti-israelense" da Noruega, uma manifestação da qual seria o reconhecimento de um Estado palestino por Oslo. "Ao invés de combater o terrorismo palestino após o 7 de outubro e apoiar Israel em sua guerra contra o eixo do mal iraniano, a Noruega optou por recompensar os assassinos e estupradores do Hamas reconhecendo um Estado palestino", escreveu o ministro israelense em sua conta no X. "Mas eles não pararam por aí e se juntaram ao processo infundado contra nós na Corte Internacional de Justiça, buscando mandados de prisão contra o primeiro-ministro e o ministro da Defesa [israelenses]", acrescentou, insistindo que "a Noruega segue uma política unilateral sobre a questão palestina, e, portanto, será excluída de qualquer envolvimento nela".

"Ato extremo"
A declaração do ministro israelense provocou críticas por parte da Noruega, dos EUA e da União Europeia (UE). O ministro das Relações Exteriores do país escandinavo, Espen Barth Eide, disse que Oslo culpa o governo de Netanyahu pela disputa diplomática e que ainda está trabalhando em uma resposta à situação. "Isso é um ato extremo que afeta principalmente nossa capacidade de ajudar o povo palestino", destacou, acrescentando que a decisão de Israel "terá consequências" para as relações entre os dois países.
Josep Borrell, o alto representante da UE para Relações Exteriores e Política de Segurança, qualificou a decisão de Tel Aviv como "injustificada", contradizendo os Acordos de Oslo (criados para garantir a paz entre Israel e o povo palestino) e interrompendo "as relações normais e a cooperação com a Autoridade Palestina". "Essa não é uma questão bilateral entre Israel e Noruega, mas sim de interesse para aqueles que trabalham pela paz e estabilidade no Oriente Médio", explicou Borrell. Por sua vez, o secretário-geral do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina, Hussein Al-Sheikh, condenou a atitude de Israel, que constitui uma "violação e quebra das normas e leis internacionais". "A decisão do Ministério das Relações Exteriores de Israel [...] tem dimensões perigosas e traz repercussões significativas", enfatizou.
