Terremoto na Colômbia causa forte impacto nas exportações de café

A suspensão poderia causar problemas nos portos e atrasos no transporte marítimo.

O forte terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10), provocou a paralisação quase completa das exportações de café, um dos principais pilares do comércio exterior colombiano, informou na terça-feira (11) a agência Bloomberg.

De acordo com Gustavo Gómez, presidente da Associação Nacional de Exportadores da Colômbia (Asoexport), as operações cafeeiras foram interrompidas devido à impossibilidade de acesso ao porto de Buenaventura, no litoral do Pacífico, principal escoadouro do grão. A via que liga Cali ao terminal portuário segue bloqueada por deslizamentos e danos causados pelo tremor.

"Pode haver algumas iniciativas isoladas, mas a exportação de café está suspensa", afirmou Gómez, acrescentando que "até agora, não há nenhuma comunicação oficial sobre quando a rodovia será totalmente reaberta".

Problemas de logística

A produção de café no país está concentrada no Sul, especialmente nos departamentos de Cauca, Huila, Nariño e Valle del Cauca, todos afetados pelo terremoto.

Embora os portos de Santa Marta e Cartagena, no Caribe, apareçam como rotas alternativas, eles não funcionam como opção prática neste momento. A logística da região do Eixo Cafeeiro, que concentra transportadoras e unidades de processamento, também foi comprometida. 

"As unidades de processamento ainda estão avaliando os danos. Até o momento, não foram relatados danos estruturais graves nas usinas de café, mas as operações estão sendo afetadas por cortes de energia, problemas de conectividade e o impacto pessoal sobre os trabalhadores, incluindo pessoas que perderam suas casas", afirmou Gómez.

O terremoto já tem impacto nos outros mercados. Os contratos de café arábica fecharam em leve baixa na Bolsa de Nova York, após meses de fortes oscilações. A Colômbia é o segundo maior produtor mundial de café de alta qualidade, atrás apenas do Brasil, com safra de 13,4 milhões de sacas de 60 kg em 2025.

Especialistas alertam que, mesmo com a reabertura das vias, a normalização do fluxo de exportações enfrentará problemas nos portos. A média mensal de embarques é de 1 milhão de sacas; a cada dia de paralisação, estoques se acumulam e os atrasos nos envios se ampliam, o que deve pressionar ainda mais a cadeia de abastecimento internacional.