Entrevistado pelo jornal O Globo, o ministro dos Transportes, George Santoro, revelou que o governo brasileiro estabeleceu uma meta ambiciosa para o setor de transportes: elevar a participação de ferrovias no transporte de cargas para aproximadamente 35% até 2050.
Atualmente, esse modal responde por cerca de 21% da movimentação nacional, segundo dados de 2025 da Associação Nacional de Transportadores Ferroviários (ANTF).
A pasta busca garantir R$ 1 bilhão no orçamento de 2027 para projetos ferroviários. Segundo Santoro, essa expansão integra uma estratégia mais ampla de modernização logística.
O objetivo central consiste em reduzir os custos logísticos do país dos atuais 15% para algo entre 6% e 7% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar alinhado à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Essa transformação depende de um modelo inovador de financiamento, de acordo com o ministro. Santoro defende o chamado "investimento cruzado", um modelo que enfrenta questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU).
O formato permitiria que recursos oriundos de renegociações contratuais sejam direcionados diretamente para ampliação da malha ferroviária, sem transitar pelo orçamento federal, contornando restrições orçamentárias.
Esses valores permanecem em contas vinculadas de empresas privadas até se converterem em ativos públicos quando as obras são concluídas e incorporadas ao patrimônio da União, questão que ampara a ideia na Lei de Ferrovias, na visão do ministro.