Jorge Messi, que morreu neste sábado (8) aos 68 anos, foi muito mais do que o pai de Lionel Messi. Durante décadas, esteve nos bastidores de algumas das decisões mais importantes da carreira do craque argentino.
Em uma entrevista ao canal de televisão TyC Sports, Lionel relembrou com carinho a relação próxima que mantinha com o pai, a quem descreveu como um trabalhador incansável. Durante a infância do jogador em Rosário, Jorge começava a trabalhar às quatro da manhã e só voltava para casa na hora do jantar.
Figura determinante no início da carreira do craque
Ao lado da esposa, Celia Cuccittini, Jorge acompanhou o filho desde os primeiros passos nas categorias de base do Newell’s Old Boys. Seu papel foi especialmente importante em uma época em que Lionel ainda era criança e seu futuro como jogador profissional estava longe de ser garantido.
Naquele período, os clubes argentinos não queriam arcar com o caro tratamento para a deficiência do hormônio do crescimento que Lionel apresentava.
Diante disso, Jorge decidiu tentar a sorte no F.C. Barcelona e liderou as negociações para que o clube espanhol assumisse os custos do tratamento. Sua insistência junto à diretoria resultou em um histórico contrato assinado em um guardanapo de papel, que mudaria o destino de Lionel.
Pai e filho, Lionel tinha então 13 anos, atravessaram o Atlântico e se mudaram para a Espanha. Não foi uma decisão fácil, já que significava separar a família e deixar, por algum tempo, Celia e os outros três filhos do casal em Rosário.
Acompanhamento durante a ascensão e consolidação de Lionel
Sem formação anterior como empresário, em Rosário, Jorge havia trabalhado como gerente de uma empresa metalúrgica, ele aprendeu a administrar contratos, acordos e negociações. Com o tempo, tornou-se o representante de Lionel, enquanto a carreira do filho avançava das categorias de base até a consolidação no time catalão.
Seu papel como empresário ganhou cada vez mais importância por meio da empresa Leo Messi Management, na qual foi fundamental nas renovações de contrato e nos negócios envolvendo o atacante.
"Nós tentamos fazer com que ele se dedique apenas a jogar", afirmou Jorge em certa ocasião.
Longe dos holofotes
Apesar da importância que teve nos bastidores da carreira de Lionel, Jorge optou por manter um perfil discreto na mídia, e sua voz raramente era ouvida nos meios de comunicação.
Sua atuação, porém, não ficou livre de polêmicas. Entre os episódios que enfrentou estiveram as investigações do fisco espanhol, as críticas dirigidas ao filho durante os períodos em que ele não conseguia conquistar títulos pela seleção argentina e a saída do craque do F.C. Barcelona.
Nos últimos anos, Jorge enfrentou uma doença que se agravou durante a Copa do Mundo de 2026. Na estreia contra a Argélia, durante a comemoração de um de seus três gols, o capitão da Argentina caiu no choro.
"Foram dias difíceis e complicados", afirmou Lionel ao ser questionado sobre o motivo das lágrimas, explicando que se tratava de uma questão "alheia ao futebol".