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Cacique Cobra Coral: entenda a atuação da entidade e o acordo com governo do Rio

Parceria válida até 2051 prevê troca de informações com a Geo-Rio; atuação da fundação ocorre após alertas emitidos pelos órgãos responsáveis pela meteorologia e passagem de ciclone-bomba.
Cacique Cobra Coral: entenda a atuação da entidade e o acordo com governo do RioLegion-media.ru / Celso Pupo

A Fundação Cacique Cobra Coral voltou a chamar atenção no Rio de Janeiro após a renovação de um acordo de cooperação com a prefeitura por mais 25 anos.

A entidade afirma atuar sobre fenômenos climáticos por intermédio da médium Adelaide Scritori e mantém uma relação com a administração municipal há mais de duas décadas. A renovação ocorreu na mesma semana em que o Rio recebeu alertas por previsão de ventos fortes.

Criada em 1931, em Guarulhos, São Paulo, a Fundação Cacique Cobra Coral afirma que o espírito que dá nome à instituição tem capacidade de interferir em fenômenos climáticos.

Atualmente, Adelaide Scritori é responsável pela incorporação. Ela assumiu a função exercida anteriormente pelo pai, Ângelo Scritori, fundador da instituição, morto em 2002, aos 104 anos. Segundo a fundação, as atividades são realizadas por voluntários.

Como funciona o acordo com o Rio

O novo Acordo de Cooperação Técnica nº 001/2026 foi firmado entre a Fundação Cacique Cobra Coral e a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro, a Geo-Rio.

Segundo o extrato publicado no Diário Oficial, o objetivo é promover a troca de informações entre as partes para possibilitar a prestação de assistência técnica meteorológica.

O prazo é de 25 anos — até 2051 — e o acordo é classificado como não oneroso, portanto não prevê repasse financeiro do município à entidade.

Segundo Osmar Santos, porta-voz da Fundação Cacique Cobra Coral, a renovação ocorreu por iniciativa da administração municipal.

"A pedido da prefeitura. Eles que nos procuraram. Quem assume tem que mandar um ofício por escrito solicitando a renovação e que tem o interesse em manter o convênio conosco", afirmou em entrevista ao portal g1.

A fundação diz que a parceria também envolve o recebimento de relatórios semestrais sobre obras viárias e ações de limpeza de córregos relacionadas à prevenção de problemas durante períodos de chuva.

A entidade afirma que não produz previsões nem emite alertas meteorológicos. Conforme Osmar Santos, a atuação ocorre depois que os órgãos responsáveis pelo monitoramento identificam uma situação que exige atenção.

"Quem vai avisar de tempestades não somos nós. Tem os meteorologistas para fazerem isso", afirmou.

Segundo ele, quando o Alerta Rio comunica risco de inundação ou outro evento, a fundação pode ser acionada para realizar a intervenção que atribui ao Cacique Cobra Coral.

A fundação afirma ainda que Adelaide permanece "totalmente inconsciente" durante a manifestação da entidade. Osmar Santos diz receber antes da incorporação as informações sobre a situação climática e sobre o local onde a fundação pretende atuar.

Ciclone-bomba coloca Rio em alerta para ventos

A renovação do acordo ocorreu em uma semana marcada pela previsão de ventos no Sudeste devido à formação de um ciclone-bomba no oceano Atlântico, próximo ao Sul do Brasil.

O sistema não tinha previsão de atingir diretamente o Rio de Janeiro, mas a frente fria associada ao fenômeno poderia provocar rajadas no estado entre quinta-feira (6) e domingo (9). Para o Rio, a projeção indicava ventos superiores a 76 km/h.

Os maiores impactos eram esperados no litoral, na Costa Verde, na Região Serrana e na Região Metropolitana.

Diante da previsão, a Defesa Civil reforçou a comunicação com a população por Cell Broadcast, SMS e WhatsApp, enquanto representantes estaduais, municipais e de órgãos meteorológicos organizaram o acompanhamento da passagem da frente fria. Pelo menos 13 municípios do estado também suspenderam as aulas.

Na madrugada de sexta-feira (7), a Defesa Civil enviou dois alertas aos celulares no Rio e orientou a população a buscar locais seguros e evitar deslocamentos.

A cidade permaneceu em Estágio 2, classificação que indicava possibilidade de ocorrências de impacto. Entre os riscos associados às rajadas estavam quedas de árvores e estruturas, interrupções no fornecimento de energia e transtornos no trânsito.