VÍDEOS: Protestos em várias cidades da Colômbia marcam posse de Abelardo de la Espriella

O ex-candidato presidencial Iván Cepeda afirmou que o novo mandatário não será chefe de Estado, mas "um agente a serviço dos interesses dos EUA".

A posse de Abelardo de la Espriella como novo presidente da Colômbia foi marcada pela rejeição de setores da oposição, que iniciaram sábado (7) com mobilizações políticas e protestos após declararem desobediência civil pacífica. As manifestações ocorreram em cidades como Bogotá, Cali, Barranquilla, Manizales e Bucaramanga, onde cidadãos e integrantes do Pacto Histórico expressaram sua insatisfação com o início do novo mandato.

O principal foco dos protestos foi Puerto Resistencia, região emblemática de Cali, onde o novo presidente decidiu realizar a cerimônia de posse em um recinto fechado. Até a cidade chegaram delegações da minga indígena provenientes de Cauca e Valle del Cauca, que reiteraram sua oposição à possibilidade de De la Espriella vender terras a estrangeiros ou permitir a exploração de gás e petróleo por meio do fracking, como já anunciou.

Em Barranquilla, as manifestações reuniram diversos líderes do movimento progressista, que expressaram sua rejeição direta ao novo presidente. A senadora Esmeralda Hernández fez duras críticas à nova administração e afirmou que o novo governo "não terá vida fácil", pois 13 milhões de colombianos e colombianas "confiam no progressismo, estão na resistência para voltar ao poder e defendem a água, a terra, os animais e a juventude". Ela também destacou os feitos do presidente que deixou o cargo, Gustavo Petro.

No mesmo local, o ex-candidato presidencial Iván Cepeda afirmou que as forças progressistas da Colômbia não reconhecem a "legitimidade" de De la Espriella para "exercer a chefia de Estado", alegando que ele é "cidadão dos EUA" e que o próprio político declarou que "será fiel" às determinações de Washington. "Abelardo de la Espriella não será chefe de Estado da Colômbia, mas um agente a serviço dos interesses dos EUA. Que fique claro", afirmou o ex-senador, acrescentando que a oposição é, sim, defensora da democracia e da soberania colombiana.

Por sua vez, a bancada do Pacto Histórico reafirmou sua postura crítica e institucional diante do novo governo a partir do sudoeste do país. A congressista Verónica Estrada destacou a importância da mobilização nas ruas e afirmou que o grupo manterá "o compromisso com a Constituição, a democracia, a soberania popular e o Estado Social de Direito".

A capital do país também registrou pontos de concentração em regiões como Bosa, Teusaquillo e na Praça de Bolívar. Nesse contexto, o senador David Racero publicou uma mensagem de apoio às mobilizações populares com o lema "Resistir para Servir". Já o ex-governador Camilo Romero afirmou, em Cali, que "o povo será protagonista para continuar fazendo história na Colômbia".