EUA avançam em novas sanções contra Rússia e Irã impulsionadas por Lindsey Graham

O texto autoriza o presidente Donald Trump a impor tarifas de até 100% aos principais compradores de petróleo e de outros recursos energéticos provenientes desses dois países.

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) um pacote de sanções contra a Rússia e o Irã, promovido pelo falecido senador republicano Lindsey Graham*. A votação terminou com 86 votos a favor e 11 contra.

Após ser aprovado pelo Senado, o documento deverá ser encaminhado à Câmara dos Representantes para posterior aprovação. A análise pelo órgão está prevista para o próximo mês.

Projeto de lei contraproducente

O texto autoriza o presidente Donald Trump a impor tarifas de até 100% aos principais compradores de petróleo e de outros recursos energéticos provenientes da Rússia e do Irã.

Apesar do resultado favorável na votação de procedimento sobre o projeto realizada em julho, não faltaram críticas à iniciativa.

"Esta legislação é um projeto tarifário elaborado com tamanho grau de raiva cega que, em vez de provocar uma mudança no comportamento de Vladimir Putin, suas medidas punitivas empobrecerão as famílias americanas e prejudicarão nossos interesses nacionais", advertiu na ocasião o senador republicano pelo Kentucky, Rand Paul.

Seus argumentos são respaldados pela experiência recente. No ano passado, Washington impôs uma tarifa de 25% às importações provenientes da Índia com o objetivo de pressionar Nova Delhi a reduzir suas compras de petróleo russo. No entanto, a medida não alterou o fluxo de petróleo para o país sul-asiático e, em contrapartida, colocou em risco um intercâmbio comercial avaliado em cerca de US$ 100 bilhões entre os EUA e a Índia.

Por fim, o governo Trump recuou e retirou as tarifas. Enquanto isso, as importações indianas de petróleo russo atingiram em junho um recorde histórico de 2,6 milhões de barris por dia e devem permanecer próximas desse nível durante julho.

Enquanto isso, o novo projeto de lei poderia afetar China, Índia, Japão, Azerbaijão, França, Hungria, Bélgica e Eslováquia. Somados à Rússia, esses países representam cerca de 40% da população mundial.

"Esse imposto acabará sendo pago principalmente pelas empresas americanas que importam produtos desses países. Quando são impostas tarifas sobre produtos fabricados na China, quem paga esse imposto é o americano médio ao fazer compras no Walmart ou em qualquer outra loja que venda produtos chineses", ressaltou o senador Paul.

O maior perdedor pode ser Washington

Jennifer Kavanagh, pesquisadora sênior e diretora de análise militar da Defense Priorities, considera que, embora as novas sanções possam reduzir parcialmente as receitas energéticas da Rússia, o custo para os Estados Unidos pode ser muito maior.

"A medida tarifária pode afetar marginalmente as receitas da Rússia provenientes do petróleo e do gás, mas seu impacto será limitado por prioridades políticas de maior importância para o governo Trump. A economia russa está sob pressão, mas pode suportar os custos moderados que o projeto de sanções de Graham imporá e, ao mesmo tempo, manter seu esforço de guerra", afirma a analista.

Na avaliação da especialista, o verdadeiro objetivo do projeto de lei é a China, principal compradora de petróleo russo. No entanto, ela advertiu que usar tarifas como instrumento para punir Pequim poderia ser "suicida" para a própria Casa Branca. Nesse sentido, lembrou que, em 2025, Donald Trump já impôs tarifas de 100% sobre produtos chineses, uma estratégia que acabou fracassando e obrigou o presidente dos Estados Unidos a recuar.

A especialista prevê que muitos legisladores, apesar de estarem cientes desses riscos, continuarão apoiando o projeto por motivos políticos.

"Muitos membros do Congresso dos Estados Unidos provavelmente estão cientes disso, mas, ainda assim, votarão a favor do projeto de lei: um gesto de virtude política feito às custas dos próprios eleitores que os elegeram. De fato, se esta legislação tiver um perdedor, serão os Estados Unidos, que terão de enfrentar maior incerteza econômica e perda de influência geopolítica, à medida que mais países se cansarem de Washington usar o dólar como arma e buscarem alternativas", concluiu.

* Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.