A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou nesta sexta-feira (7) uma possível ingerência dos Estados Unidos em ações de combate ao narcotráfico no país. Ela também cobrou esclarecimentos sobre a captura de Ismael "El Mayo" Zambada, fundador do cartel de Sinaloa.
Sheinbaum afirmou que as informações apresentadas por agências americanas sobre o caso são "muito contraditórias". "Quando há ingerência de um país, em particular dos Estados Unidos, em relação ao México, ou provável ingerência, não é uma questão de dizer 'bom, já passou' e não acontece nada", disse.
Zambada foi levado aos Estados Unidos há dois anos após ser colocado em um avião por Joaquín Guzmán López, filho de Joaquín "El Chapo" Guzmán. Segundo a versão apresentada sobre o caso, Guzmán López sedou Zambada antes do voo, que saiu de Sinaloa e terminou em um aeroporto privado no Texas. O governo mexicano não participou da operação.
Contradições americanas
Autoridades dos Estados Unidos afirmaram que nenhuma agência americana havia planejado previamente a operação. O FBI exibiu o avião usado na chegada de Zambada e Guzmán López e apresentou as detenções como resultado de sua atuação, o que levou Sheinbaum a renovar a cobrança por explicações.
"Que bom que El Mayo está preso, evidentemente, mas a maneira como isso foi feito, e se teve relação com uma ingerência dos Estados Unidos em nosso país sem intervenção do México, é muito relevante", enfatizou a presidente.
Sheinbaum também pediu que seja investigada a origem da disputa entre grupos criminosos que explodiu em Sinaloa após a prisão de Zambada e se alguma instituição do governo americano teve participação na promoção das divisões do cartel.