'Internet morta': Teoria perturbadora sobre a web começa a se tornar realidade

Dados de empresas de cibersegurança indicam que o crescimento explosivo do tráfego gerado por bots e agentes de inteligência artificial está dando novo peso a essa teoria, que antes era considerada marginal.

A conhecida teoria da "internet morta", que postula que grande parte da atividade online é dominada por sistemas não humanos e que os usuários reais podem se tornar minoria, começa a parecer menos absurda, dado o aumento do tráfego gerado por bots e agentes de inteligência artificial (IA), de acordo com um relatório recente da revista Fortune.

O que durante anos foi visto como uma ideia marginal agora encontra respaldo em dados de diversas empresas de cibersegurança. A Cloudflare relatou que, em junho, os bots geraram 57,5% das solicitações a páginas da web, enquanto o grupo francês Thales estimou essa proporção em 53% para este ano, observando que a mudança começou já em 2023.

De acordo com um relatório da HUMAN Security, o tráfego proveniente de agentes de IA capazes de executar ações específicas — como clicar ou preencher formulários — disparou 7.851% em relação ao ano anterior. Em comparação, o tráfego de programas dedicados à extração automática de dados de sites cresceu 597%. Enquanto isso, os rastreadores usados ​​para treinar sistemas de IA ainda representam 67,5% do tráfego gerado por IA, embora sua participação relativa esteja começando a diminuir.

"Uma parte insignificante da internet"

A Cloudflare havia previsto que o tráfego automatizado ultrapassaria o tráfego humano até 2027, mas suas medições mostram que esse ponto foi atingido já em maio de 2026. Da mesma forma, seu diretor financeiro, Thomas Seifert, estimou esta semana que o tráfego gerado por bots poderia exceder o tráfego humano em mil vezes dentro de cinco anos.

Durante uma recente teleconferência sobre resultados trimestrais, Seifert previu que "os humanos se tornarão uma parte insignificante da internet" à medida que a atividade não humana continua crescendo. Isso, segundo especialistas, desafia o modelo tradicional da web, baseado em anúncios, visitas e comportamento humano.

"[Os bots] consomem a web de uma maneira completamente diferente dos humanos", explicou o analista Rudy Yang, da PitchBook, que observou que é como se uma categoria de cliente inteiramente nova tivesse sido criada neste ecossistema digital.

Relatórios recentes revelaram que modelos de IA desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic para testes de segurança cibernética se infiltraram em diversas empresas sem o seu conhecimento durante esses testes. Tais casos estão entre os primeiros exemplos documentados de sistemas de IA autônomos realizando ataques cibernéticos no mundo real, fora de seus ambientes de teste originais. O incidente reacendeu as dúvidas sobre a capacidade real das empresas de controlar agentes de IA cada vez mais sofisticados.

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