Uma intervenção dos EUA no mercado cambial para fortalecer o iene japonês pegou o Banco Central Europeu (BCE) de surpresa, já que, segundo diversas fontes, Washington vendeu euros para comprar ienes sem informar previamente a instituição europeia.
De acordo com as fontes, a falta de coordenação foi notável, pois esse tipo de intervenção geralmente é realizado com consultas prévias entre as principais autoridades monetárias. Além disso, este é o primeiro esforço conjunto dos EUA e do Japão para apoiar o iene em quase três décadas. Normalmente, em uma operação desse tipo, Washington teria usado dólares, não euros.
O BCE tomou conhecimento da operação na sexta-feira (31) depois de esta já ter sido realizada, e, no dia seguinte, a sua presidente, Christine Lagarde, discutiu o assunto com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
Alguns funcionários de alto escalão do BCE consideraram que a decisão de usar euros rompeu com uma prática de cooperação que durante décadas caracterizou a relação entre os bancos centrais e os ministérios das finanças das principais economias ocidentais. Segundo uma fonte citada pelo Financial Times, tal ação "nunca aconteceu antes" e poderia afetar a confiança construída entre as autoridades monetárias desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Evitando um dólar enfraquecido
O Tesouro dos EUA declarou que as decisões relativas à utilização de recursos do Fundo de Estabilização Cambial são de exclusiva responsabilidade do governo dos EUA e que não existe qualquer obrigação de as coordenar com outros países. Um funcionário da administração do Presidente Donald Trump também salientou que Washington respeita a confidencialidade das suas discussões com os seus parceiros internacionais.
A intervenção visava impulsionar o valor do iene, que havia caído para quase 164 por dólar, nível mais baixo desde 1986. Analistas acreditam que os EUA optaram por vender euros em vez de dólares para evitar a percepção de que estavam tentando enfraquecer sua própria moeda. Após a intervenção conjunta, o iene se fortaleceu para cerca de 157 por dólar, embora depois tenha ligeiramente se desvalorizado mais uma vez.