Aproximadamente 700 militares americanos ficaram feridos em ataques com mísseis e drones iranianos contra bases americanas no Oriente Médio e em outros confrontos, segundo informações da Associated Press nesta quinta-feira (6). A maioria delas sofreu traumatismo craniano e já retornou ao serviço ativo.
Em julho passado, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, descreveu os ferimentos relatados pelas tropas durante um período de duas semanas como "concussões leves", mas especialistas alertam que essa avaliação não equivale a dizer que a pessoa que sofreu o ferimento estará livre de riscos.
Embora a maioria das pessoas que sofrem uma lesão cerebral traumática leve se recupere completamente em poucas semanas, outras desenvolvem sintomas ou dificuldades que podem persistir por meses ou anos, incluindo dores de cabeça, problemas de memória, tonturas, problemas de atenção e confusão mental, entre outros.
No pior dos casos, a pessoa afetada pode sofrer sequelas permanentes, como a encefalopatia traumática crônica, uma doença degenerativa cujo aparecimento é favorecido por repetidos golpes na cabeça, como ocorre com jogadores de futebol americano e boxeadores, entre os quais os diagnósticos dessa condição têm aumentado.
Riscos a longo prazo
O impacto direto não é a única forma de lesão cerebral em um contexto de guerra. Embora os efeitos das explosões ainda estejam sendo investigados, o professor James Kelly, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado e especialista em lesões cerebrais no meio militar, afirma que, embora a onda de choque em si possa ser prejudicial, "uma explosão é diferente de uma lesão cerebral traumática causada por impacto".
Entre 2000 e 2025, mais de 500.000 militares americanos foram diagnosticados com lesões cerebrais traumáticas enquanto lutavam nas guerras do Afeganistão e do Iraque. 82% dos casos foram classificados como "leves", e nem todos estavam relacionados a combate.
O número, porém, pode subestimar o total de casos pois os sintomas frequentemente se sobrepõem a outras condições relacionadas à guerra, como o transtorno de estresse pós-traumático, e também porque os efeitos do trauma cerebral podem aparecer anos após o incidente.