A China afirmou nesta quinta-feira (6) que a devastação causada pelas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagasaki "jamais deve se repetir". Pequim também defendeu que a memória dos ataques não pode ser dissociada da agressão militar promovida pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
A declaração foi dada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, no marco dos 81 anos dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.
Questionado sobre o significado da data e sobre o debate em torno da política de defesa japonesa, Jian afirmou que "o contexto específico das explosões nuclearesdeve ser lembrado com ainda mais ênfase" e que "as lições da agressão e expansão do militarismo japonês devem servir para sempre como um alerta".
Segundo o porta-voz, setores da direita japonesa vêm "distorcendo fatos históricos" ao enfatizar apenas a condição do país como vítima dos bombardeios nucleares, enquanto minimizam a invasão japonesa que, segundo ele, matou e feriu "dezenas de milhões de pessoas" em países vizinhos durante a guerra.
"Desprezo pela justiça histórica"
"As forças de direita no Japão vêm explorando politicamente a identidade do país como vítima de bombardeio nuclear para obter simpatia e minimizando deliberadamente a invasão japonesa, numa tentativa de se eximir da responsabilidade pela guerra", declarou.
Jian também criticou o fortalecimento das capacidades militares do Japão e as discussões sobre uma eventual ampliação da cooperação nuclear com os Estados Unidos. Segundo ele, autoridades japonesas estariam buscando maior proteção sob o guarda-chuva nuclear norte-americano e tentando flexibilizar os princípios não nucleares do país.
"Um alto funcionário do gabinete do primeiro-ministro chegou a clamar por um programa nuclear independente para o Japão, sem sequer disfarçar a ambição de remilitarização. Isso é uma provocação a todos os povos amantes da paz no mundo e revela seu desprezo pela justiça histórica", afirmou.