
No auge da carreira, Wagner Moura defende tolerância e desabafa: 'Cansei de ser odiado'

O ator baiano e torcedor do Vitória Wagner Moura vive um dos momentos mais bem-sucedidos da carreira. Enquanto coleciona reconhecimento internacional no teatro e no cinema, se prepara para estrear um novo filme em uma importante plataforma de streaming.
Após se consagrar com os prêmios de Melhor Ator no Festival de Cannes e no Globo de Ouro, além de ser indicado ao Oscar por seu papel no filme "O Agente Secreto (2025)", dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, o brasileiro segue em evidência no cinema mundial.
Refletindo sobre sua carreira e seu claro posicionamento político, na terça-feira (4), em entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, Moura aproveitou para defender a democracia, reafirmar suas convicções políticas e desabafar sobre os ataques que recebe. "Estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo", afirmou.

Segundo ele, a polarização política se tornou uma das maiores ameaças à democracia porque impede que pessoas com visões diferentes compartilhem uma mesma percepção da realidade.
"A tolerância é um fator fundamental, um pilar da democracia. Você tem que ser tolerante. O que, para mim, é assustador, é que não estamos mais vendo a realidade da mesma forma", disse.
Fim da verdade
O ator afirmou que sente falta da época em que divergências ideológicas eram travadas a partir dos mesmos fatos. "Eu lembro de uma época em que esquerda e direita, se a gente polarizar a coisa, brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais. Não sei o que fazer. Se os fatos deixam de ser relevantes, deixam de existir, e passam a existir versões da realidade, se eu tenho a minha realidade e você tem a sua, e agora?", questionou.
Apesar das críticas que recebe por seus posicionamentos, Moura disse que continuará expressando suas opiniões. "Eu vou morrer dizendo as coisas que acho. Posso estar errado, mas a minha natureza é dizer o que penso."
O ator também rebateu críticas de quem considera incompatível defender pautas consideradas de esquerda após alcançar sucesso financeiro. Relembrando sua origem em Rodelas, na Bahia, afirmou que prosperar profissionalmente não o fez abandonar a defesa da justiça social.
"Queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social", disse. "Que portal é esse pelo qual você passa e, se prosperar no seu trabalho, tem que deixar de acreditar que os outros também merecem aquilo? Eu não entendo muito esse raciocínio."
Um dos maiores
Enquanto repercutem as declarações, Moura também acumula novos feitos na carreira internacional que o posicionam como um dos maiores atores da história do Brasil.
A montagem de "A Trial – after An Enemy of the People", adaptação contemporânea de "Um Inimigo do Povo" dirigida pela brasileira Christiane Jatahy e estrelada pelo ator, foi incluída pelo jornal britânico The Times entre os 40 espetáculos imperdíveis da temporada de festivais de Edimburgo, considerada uma das mais importantes do teatro mundial.
No cinema, o brasileiro se prepara para o lançamento de "The Last House", thriller psicológico dirigido por Louis Leterrier. No longa, ele divide o protagonismo com Greta Lee e interpreta um homem que, ao lado da esposa e dos filhos, fica preso dentro da própria casa enquanto uma ameaça misteriosa impede a família de sair.
Em entrevista à agência Reuters, na quarta-feira (5), Moura elogiou a complexidade da produção e destacou a transformação gradual do cenário ao longo das filmagens. "Na segunda parte do filme, a maneira como conseguiram transformar a casa em uma espécie de aquário... Eu nunca tinha visto nada parecido", afirmou.
Questionado sobre como reagiria se estivesse na mesma situação vivida por seu personagem, respondeu em tom bem-humorado: "Seria um desastre. Eu não sei consertar absolutamente nada".

